Os vestígios brasileiros no suicídio coletivo mais famoso da história

verendo Jim Jones, comandante da seita Templo do Povo

A notícia chegou ao Brasil há 40 anos, numa terça-feira, 21 de novembro de 1978. Três dias antes, 918 pessoas, incluindo 304 crianças e adolescentes, haviam morrido em Jonestown, assentamento agrícola erguido no coração da selva guianense por integrantes da seita americana Templo do Povo.

Entre pequenas casas de madeira, os fiéis jaziam de bruços sobre a grama, abatidos pela ingestão de refresco envenenado. O líder e fundador do grupo, Jim Jones, foi encontrado junto aos discípulos, com um ferimento de bala na cabeça. O clima tropical acelerou a decomposição dos corpos, obrigando os soldados da força-tarefa do governo local a vestirem máscaras para enfrentar o mau cheiro que impregnava o ambiente. Apenas 87 moradores da comunidade sobreviveram à tragédia, híbrido de suicídio coletivo com assassinato em massa.

A perplexidade dos brasileiros, no entanto, passava por questões anteriores ao massacre: uma década e meia antes, Jones havia morado no Brasil. Sua passagem por três capitais da região Sudeste, no auge da Guerra Fria, é parte de um quebra-cabeças cujas peças estão nos arquivos públicos do país, em antigas coleções de jornais e no acervo documental da própria seita, digitalizado pela Universidade Estadual de San Diego (na Califórnia, EUA).

A reportagem da BBC News Brasil entrou em contato com sobreviventes do grupo, mas nenhum deles quis dar entrevista. Por e-mail, Stephan Jones, único filho biológico do líder religioso, disse: “Eu me lembro apenas de pequenos fragmentos de nossa vida familiar no Brasil, e o papai não aparece em nenhum deles”.

Apocalipse

No início da década de 1960, o Templo do Povo era um sucesso. Com poucos anos de existência, a congregação em Indianápolis (EUA) já aglutinava cerca de 2 mil fiéis, seduzidos por um discurso que fundia o cristianismo pentecostal aos princípios socialistas e a luta contra o racismo. Jones, que estivera em Havana nos primeiros meses de 1960, gabava-se de ter conhecido Fidel Castro e atribuía a Jesus Cristo o papel de fundador do comunismo. Ao lado da mulher, Marceline Jones, assumiu a custódia de três crianças coreanas, uma garota indígena e um bebê negro – o primeiro a ser adotado por um casal branco no Estado americano da Indiana.Fonte:BBC.

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