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Para catarinenses, Santa Teresa não é o berço da imigração italiana no Brasil

Imprensa Redação por Imprensa Redação
17 de janeiro de 2018
em Geral

Uma lei sancionada na última sexta-feira (12) pelo presidente Michel Temer (PMDB) retirou de Santa Catarina a condição de berço da colonização italiana no Brasil.

A lei 13.617/2018 reconhece a cidade de Santa Teresa, no Espirito Santo, como “Pioneira da Imigração Italiana no Brasil”. O município teria recebido os primeiros imigrantes em 1875. Santa Catarina, no entanto, recebeu os primeiros italianos 39 anos antes. Eles fundaram a Colônia Nova Itália, hoje município de São João Batista, na região da Grande Florianópolis.

Lei reconhece Santa Teresa como “Pioneira da Imigração Italiana no Brasil”.  Foto: Stephen Rossi
Lei reconhece Santa Teresa como “Pioneira da Imigração Italiana no Brasil”. Foto: Stephen Rossi

Lideranças da comunidade, da Associação dos Descendentes e Amigos do Núcleo Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil e do município de São João Batista já estão mobilizadas para, primeiro, aprovar uma lei estadual sobre o assunto e em seguida contrapor a legislação aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente.

“Já estamos tratando com os deputados estaduais. Temos como provar que os primeiros imigrantes aportaram em Santa Catarina”, diz o diretor da entidade, Élio Paulo Satori. “Eu fiquei até mais tranquilo, porque a nossa imigração é bem anterior e temos como provar. A Colônia Nova Itália é o berço da imigração no Brasil”, acrescenta Plácido Vargas, secretário de administração e desenvolvimento econômico de São João Batista.

O historiador Paulo Vendelino Kons, responsável pela organização recente da festa dos 180 anos da Imigração Italiana no Brasil, na Colônia Nova Itália, trata a questão como um erro histórico do governo federal e do Congresso Nacional. “Devemos enviar um manifesto ao Congresso para que seja corrigido esse erro. Creio que, demonstrando que há colonização mais antiga, como a da Colônia Nova Itália, a Lei pode ser revogada ou substituída”, ponderou.

As lideranças catarinenses e os descendentes dos primeiros italianos no Estado avaliam, ainda, que a votação e a promulgação da lei se deu sem o devido levantamento histórico. Foi apresentada no Congresso e votada sem que ninguém fosse verificar fatos anteriores ao proposto.

Expedição ao Espirito Santo era comandada por austríacos

Paulo Vendelino Kons também critica o fato de a colonização de Santa Teresa estar associada à chegada do navio La Shofia, que era chefiado por um austríaco, embora trouxesse italianos. Ele lembra que a chegada em Santa Catarina se dá em 1836, com 132 imigrantes católicos do Reino da Sardenha, precursor da Itália. Eles desembarcaram em março daquele ano na baía norte de Florianópolis, a bordo no navio Correio.

O fato de a Itália não existir em 1836, no entanto, é um dos motivos pelos quais os defensores de Santa Teresa buscam o reconhecimento da cidade, o que não é aceito pelos catarinenses. Outro argumento trata da “imigração em massa”, o que não teria acontecido antes de 1875, segundo eles.
O município de Santa Teresa é o maior produtor de uva e vinho do Espírito Santo, representando 80% da produção estadual. Foi fundada em 26 de junho de 1875, por um grupo de 150 imigrantes do Norte da Itália.

Fonte: Notícias do Dia.

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Tags: colonização italianaEspirito SantoSanta Teresa

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