
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao município de Linhares, no norte do Espírito Santo, marcada para esta sexta-feira (11), já começa envolta em polêmicas. O presidente da Câmara Municipal, Ronildo “Roninho” Cancelieri, afirmou que não participará do evento oficial e que o petista “não é bem-vindo” na cidade.
Lula visita Linhares para participar de uma cerimônia no Parque de Exposições, onde anunciará o início dos pagamentos do Programa de Transferência de Renda (PTR) voltado a agricultores familiares e pescadores, dentro do Novo Acordo do Rio Doce — uma medida de reparação pelos danos causados pelo rompimento da barragem da Samarco, em Fundão (Mariana-MG), em 2015.
🎤 Recado político direto ao Planalto
Em declarações à imprensa local, Roninho — um dos principais nomes da política linharense — afirmou que não compactua com as políticas do governo Lula e que considera a visita uma estratégia de marketing político com fins eleitorais.
“Não serei conivente com esse tipo de manobra. Lula não é bem-vindo e não subirei ao palanque com ele”, disse o vereador.
A fala reflete o clima de divisão política na cidade, onde o presidente enfrenta resistência por parte de líderes municipais, mesmo em uma agenda institucional.
🧑🏿🤝🧑🏽 Quilombolas, PAC e silêncio do Planalto
Durante a visita, Lula deve ainda visitar comunidades quilombolas da região, celebrar sua inclusão no acordo de reparação e, possivelmente, anunciar obras e investimentos do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o norte capixaba.
Apesar da importância das ações, o silêncio do Palácio do Planalto em relação ao impacto de tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump e à insatisfação de lideranças locais tem sido interpretado como um sinal de distanciamento estratégico — ou mesmo desconexão com a base política no Espírito Santo.
📉 Terreno político desfavorável para Lula em Linhares
Mesmo que a agenda presidencial tenha como foco ações sociais e reparatórias, o ambiente político é visivelmente hostil. A ausência de apoio explícito de lideranças locais como o presidente da Câmara deixa claro que Lula não encontrará terreno fácil para articulações políticas em Linhares.
Com o ano eleitoral se aproximando, a visita do presidente — que poderia simbolizar união e progresso — ganha contornos de embate político regional, evidenciando os desafios que o governo federal enfrenta fora dos grandes centros e nas bases conservadoras do interior do país.











