
Centenas de pessoas enfrentaram uma grande fila no Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira, em busca de uma oportunidade de trabalho. Até o fim desta semana, em que é celebrado o dia do trabalho, cerca de 2 mil vagas estão sendo oferecidas no feirão organizado pela ONG católica Gerando Vidas e sediada no sindicato de telefonia (Sinttel). Há vagas para as áreas de serviço, beleza, administrativo e comércio.
A feira ocorre no momento em que a falta de disposição do empresariado para abrir vagas elevou o número de desempregados para 13,4 milhões e fez a taxa de desemprego subir a 12,7% no último trimestre. A renda do trabalhador também não apresentou melhora, segundo o IBGE.
O ceu ainda estava escuro quando Elizete Aguiar Vieira, de 56 anos, chegou na fila junto ao seu filho, Bruno Aguiar Vieira, de 35 anos. Há três anos na fila do desemprego, ela buscava uma vaga como camareira. Ele, há nove meses na situação, uma oportunidade na área de serviços. Um cenário que poderia ser desolador se não fosse a renda do marido, aposentado do Corpo de Bombeiros, com renda de R$ 3 mil mensais.
— Fico angustiada com isso, quero ajudar com as contas de casa ou até mesmo meu filho, mas a gente não consegue. Até depressão já tive. Me mudei de casa para não ter que pagar aluguel — conta Elizete: — Esperava que a economia fosse melhorar esse ano.
A queda da renda das família tem feito com que novas pessoas entrem na busca por uma oportunidade, em um mercado com crescimento econômico ainda lento. Entre mais novos e mais experientes, a dificuldade de conseguir a carteira assinada é a mesma. Em alguns casos, trabalhadores chegam no dia anterior da abertura da feira na esperança de conseguir uma vaga.
A estudante Malu Brito, de 19 anos, busca seu primeiro emprego para auxiliar no pagamento da faculdade de Artes Cênicas que começou a cursar neste ano. Não esperava tamanha dificuldade e tanta gente na fila.
— Não esperava que fosse tão difícil. Estou procurado pois preciso de um dinheiro para pagar minha faculdade, ajudar a minha mãe a financiar meus estudos. Qualquer coisa eu estou topando — conta ela, que teme por ver o sonho da faculdade interrompido.

A situação é a similar a vivida pelo primo, Luciano Oliveira, também de 19 anos. Desempregado desde janeiro, após ser dispensado do cargo de atendente de telemarketing, ele teve que mudar os hábitos ao ficar sem o salário mínimo que recebia: voltou a morar com a mãe e parou de sair aos finais de semana. Os recursos economizados hoje foram realocados para pagar passagens, de Nova Iguaçu para o Rio, para distribuir currículos e ir a feiras de empregos.
— Sem emprego, parei de sair nos fins de semanas. Hoje o que sobrou das reservas eu uso para pagar passagem em busca de um emprego. Está difícil. Dependendo se eu não arrumar emprego, não vou conseguir nem pagar uma faculdade — lamenta o estudante, que irá prestar vestibular neste ano.
Na fila, muitas pessoas apontam dificuldades em seguir procurando trabalho, após meses convivendo com o desemprego. A sensação converge com os números divulgados pelo IBGE nesta terça. De acordo com o instituto, o número de pessoas que desistiu de procurar trabalho, os chamados desalentados, foi estimado em 4,8 milhões e subiu em ambas as comparações: são mais 180 mil pessoas na passagem de trimestre e, em relação aos três primeiros meses do ano, ganhou mais 256 mil pessoas.
— Peguei dinheiro emprestado, vendi engradados de cerveja, para pegar o trem e vir pra cá. Não posso desistir nunca. A condição está ruim para todo mundo — lamenta a aposentada Filomena dos Santos, de 52 anos, que estava na fila buscando um emprego após ser demitida de um rede de supermercado que faliu.
A feira de empregos segue até sexta-feira, a partir das 6h, na sede do Sinttel, na Rua Morais e Silva, 94, Maracanã. No local, será realizada uma avaliação inicial do candidato. Se ele preencher os pré-requesitos exigidos pela empresa, será diretamente encaminhado para a avaliação final com o RH.
Fonte: Extra











