Capixaba faz réplica do avião Barão Vermelho, da 1ª Guerra Mundial

Promotor de Justiça gastou cerca de R$ 45 mil para executar o projeto

Foto: Arquivo pessoal/Gazeta Online

O promotor de Justiça Clovis Figueira, 68 anos, construiu uma réplica do famoso Barão Vermelho – avião da 1ª Guerra Mundial que funcionava como isca para abater aeronaves dos rivais. Antes de fazer a réplica em tamanho real, a primeira ideia que ele teve foi a de construir um aeromodelo, mas, literalmente, decidiu alçar voos mais altos.

Ele, que pilota há 42 anos, conta que comprou um projeto americano do modelo, e o primeiro voo do Barão Vermelho capixaba aconteceu em dezembro de 2014. “Eu levei uns dois anos para fazê-lo. Eu e minha esposa. Ela construiu comigo. Aliás, a decoração ficou praticamente toda a cargo dela”, lembra.

Veja vídeo do avião voando:

Clovis destaca que há um procedimento que precisa ser adotado quando alguém quer construir e voar com esse modelo. “Eu precisei contratar um engenheiro aeronáutico, que aprova o projeto. Esse profissional também acompanha as etapas de produção e, no final, emite um laudo. Depois disso, é preciso que um inspetor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) venha fazer uma vistoria e, aí sim, estando tudo certo, nesta fase, você pode voar”, diz, frisando que também é obrigatório o Registro Aeronáutico Brasileiro.

Ele conta que construir aviões virou um hobby e que voar – o que é uma paixão – também é uma forma de fuga à correria do dia a dia. “Acaba que durante a semana fico com a cabeça pesada com os casos do trabalho, e nos fins de semana eu vou para outro mundo e voo, me dedico à construção desses meus aviões”, explica.

O promotor contou, ao Gazeta Online, que já está há cerca de dois anos construindo um novo avião. “Dessa vez será um modelo que comportará duas pessoas. Ele se chama Sonerai II. Está mais demorado porque é um avião que requer mais conhecimento. Muitas vezes eu estou tendo primeiro que aprender novas ferramentas para depois executá-las”, conclui.

Esse é o segundo avião que o promotor vai construir e ele garante que será bem mais veloz que o Barão Vermelho.

ESPECIFICAÇÕES

O Barão Vermelho, que tem 5,2 metros de envergadura e 4,8 metros de comprimento, custou, de acordo com Clovis, entre R$ 40 e R$ 45 mil. Isso incluindo o motor que foi comprado para o modelo. “E isso porque a mão de obra foi praticamente toda minha e da minha esposa. Eu só terceirizei o que realmente não dava pra fazer, como a solda”, detalha. Segundo ele, o motor escolhido foi um aeronáutico de 65 HP. Veja galeria de fotos do Barão Vermelho:

A construção das partes do avião foi totalmente artesanal. O promotor ressalta que as asas do Barão Vermelho, por exemplo, feitas de madeira, tecidos especiais e uma solução que enrijece e estica esse tecido, foram construídas na própria sala de jantar. “Lembro-me que eu e minha esposa passamos a semana do Carnaval fazendo essas asas”, conta.

PAIXÃO

Clovis revela que, desde pequeno, tinha verdadeiro cuidado e paixão em fazer seus próprios brinquedos. Ele diz que fazia carrinhos e caminhões de brinquedo para se divertir com os amigos. “Sempre gostei e desenvolvi esse lado criativo. Então, um belo dia, eu já pilotava, já tinha um avião, e decidi construir outro por conta própria”, afirma. “E você não encontra esse tipo de avião, como o Barão Vermelho, para comprar hoje em dia. Ele é considerado ultrapassado”, complementa.

ACERVO

O promotor possui, atualmente, dois aviões, sendo um o Barão Vermelho e o outro um ultraleve modelo Tecnam Volare, que consegue voar por até mil quilômetros sem abastecer e, para isso, gasta no máximo cinco horas.

HISTÓRIA

Tradicionalmente, o Barão Vermelho da 1ª Guerra Mundial foi pilotado por Manfred Von Richthofen, o mais conhecido aviador alemão daquela época. O modelo era conhecido por ser veloz e difícil de atingir. A cor vermelha, de acordo com historiadores, foi escolhida pelo militar para provocar os adversários, que eram atraídos e abatidos – foram 82 vítimas ao todo registradas.

Von Richthofen foi atingido pelas costas, com um tiro fatal, em 1918, por um piloto atirador canadense.

Fonte: Gazeta Online

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