Chuva deixa mais de 2 mil pessoas desalojadas no Rio

s autoridades seguem contabilizando os estragos causados pela mais forte chuva já registrada pelo Centro de Operações da Prefeitura do Rio, que causou quatro mortes na madrugada desta quinta-feira (15). De acordo com a Secretaria de Assistência Social, 350 famílias tiveram que deixar suas casas, o que segundo a pasta representa um total de mais de 2 mil pessoas.

A maior parte está em Campo Grande, onde bairros inteiros foram alagados, e no Complexo do Alemão.

A Subsecretaria de Defesa Civil recebeu, das 22h de quarta (14) até as 16h50 de quinta, 631 chamados para realização de vistorias em edificações. Até o fim da tarde, 182 ocorrências emergenciais haviam diso atendidas. Após análises, os técnicos interditaram 51 imóveis, sendo 41 no Complexo do Alemão e 10 em Cascadura.

Mortes

Dois moradores de Quintino, na Zona Norte do Rio, morreram. Segundo vizinhos, a água invadiu as casas como “um tsunami”. Os moradores que dividiam o terreno com Marcos Garcia, de 59 anos, e Jupira Magalhães, de 62, ficaram chocados com o que ocorreu. A força da água derrubou um muro em cima de uma das vítimas.

Em entrevista à GloboNews, o vizinho de Marcos e Jupira contou que a chuva invadiu sua casa por volta das 1h15. Segundo ele, a água demorou 40 minutos para baixar.

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“Foi horrível, foi horrível. A água subiu mais de dois metros do outro lado, arrebentou o meu quarto, e saiu como um tsunami de dentro dali”, afirmou o rodoviário Edmar da Silva.

O temporal também matou outras duas pessoas: um adolescente de 15 anos em Cascadura, e um sargento da PM que teve o carro atingido por uma árvore em Realengo.

Estágio de crise e chuva recorde

A chuva causou interdições, falta de energia, alagamentos e derrubou um trecho da ciclovia Tim Maia. A prefeitura recomendou à população que evitasse circular na cidade pela manhã.

Nos primeiros minutos da quinta-feira, o município entrou em estágio de crise, o mais grave em uma escala de três níveis. Após cerca de cinco horas, às 5h30 a cidade retornou ao estágio de atenção, mas várias vias seguiram interditadas e serviços ficaram suspensos, como trens e o BRT.

Segundo dados do Alerta Rio, em uma hora (de 0h à 1h), foram registrados 123,6 mm de chuva na estação Barra/Riocentro. Este é o maior volume de chuva registrado, no período de uma hora, na série histórica. O órgão armazena os dados de chuva do município desde 1997. Antes, o recorde de chuva em uma hora havia sido de 116,2 mm, em Campo Grande, em 19 de março de 2000.

Prefeito no exterior

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O prefeito Marcelo Crivella não está no Rio. Desde o início do carnaval, ele está na Europa. A previsão é que ele volte na sexta-feira (16) ao Rio. Nesta quinta, ele postou uma mensagem em que diz estar ‘acompanhando a situação’ e ‘atento’ a emergências.

O vice-prefeito, Fernando Mac Dowell, esteve à tarde em São Conrado, onde um trecho da Ciclovia Tim Maia desabou – um outro trecho desabou em abril de 2016, causando duas mortes.

“O projeto está errado. Tem que fazer todo o dimensionamento outra vez. A ciclovia caiu porque não foi dimensionado adequadamente”, opinou.

Segundo informações da GloboNews, o Ministério Público Federal já havia conseguido na Justiça a interdição da Ciclovia Tim Maia, mas a Prefeitura do Rio recorreu e conseguiu a reabertura.

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Resumo dos danos causados pela chuva:

  • 4 pessoas morreram
  • 177 famílias desalojadas (mais de mil pessoas)
  • 51 imóveis interditados (muitos ainda não foram vistoriados)
  • falta de luz em vários bairros (algumas regiões estão sem energia desde a noite de quinta)
  • queda de trecho da ciclovia Tim Maia (vice-prefeito atribuiu a erro de projeto)
  • da Europa, prefeito Marcelo Crivella disse estar ‘atento’
  • Rio ficou 5 horas em ‘estágio de crise’
  • Choveu em 1 hora (de 0h a 1h) o máximo registrado em 21 anos
  • 77 sirenes foram acionadas em 44 comunidades
  • 7 mil raios foram registados
  • 35 árvores ou postes desabaram
  • queda de dirigível e alagamentos interromperam trens
  • Cinco prédios da Justiça foram interditados por alagamentos
  • Seis hospitais sofreram estragos e prejuízo no atendimento
  • Polícia Federal suspendeu emissão de passaportes no Galeão
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