Diretor de presídio do ES é acusado de assédio sexual. Veja vídeos com os relatos das vítimas

Um homem que atua no sistema prisional do Espírito Santo como diretor-penitenciário é acusado de assediar policiais penais e detentos. Segundo as vítimas, Dantas Campostrini Vieira oferecia benefícios em troca de favores sexuais e fotos intimas.

O diretor é alvo de uma investigação do Ministério Público do Espírito Santo. Uma das vítimas, um policial penal homossexual, contou com exclusividade à reportagem da TV Vitória/Record TV os desrespeitos e crimes sofridos pelo superior.

Segundo a vítima, que atua na área há dois anos, o sonho de integrar o sistema penitenciário se tornou um pesadelo. Ele conta que começou ouvir boatos em conversas nos corredores do Centro de Detenção Provisória de Aracruz (CDPA) sobre o chefe que assediava os servidores.

“Começou em 2019. Em junho, quando foi lotado no CDPA de Aracruz. Nunca tinha trabalho no sistema. Logo que entrei, uns dois ou três meses depois, tinha aquelas conversas: ‘Ah, você vai tomar um vinho com o nosso chefe’. O pessoal fica brincando e zoando”, contou. 

A vítima, que prefere não ser identificada, disse que foi respeitado pelos colegas quando souberam da sua orientação sexual. O diretor, no entanto, começou a assediá-lo.

“Ele falou: ‘Fiquei sabendo que você curte’. Eu fiquei todo sem graça e falei: ‘Tá doido. Sim, mas eu tenho uma pessoa, tenho um relacionamento de tempo’. Ele falou: ‘Não, mas ninguém vai ficar sabendo'”. 

O policial penal conta que, por algumas vezes, foi solicitado para ser motorista de Dante.

“Começou a me chamar para sair com ele. Ele pegava o carro lá na unidade e me chamava para dirigir com ele. Nós íamos para Aracruz para resolver algo e ele começou com essas conversas”, relembra.

O diretor, segundo a vítima, insistiu e pediu fotos íntimas.

“Ele pediu fotos do p** e eu falei: ‘Não, cara. Você tá doido’. Ele pediu várias vezes fotos. Falava: ‘Ah, fiquei sabendo que você tem um p** e tal’. Aqueles comentários maliciosos na unidade. Eu sempre saindo das investidas dele”, desabafou chorando.

Diretor atua no sistema prisional há oito anos e fez várias vítimas

Foto: Reprodução/Facebook
Dantas Campostrini Vieira

Dantas Campostrini Vieira exerce a função de diretor de presídios no Espírito Santo há oito anos. Nas redes sociais, ele se apresenta como professor universitário, casado e pai.

À frente do Centro de Detenção Provisória de Aracruz, segundo investigação do Ministério Público, ele deixou um rastro de vítimas, entre policiais e detentos.

De acordo com o relato das vítimas, todas as vítimas do suspeito são homens. Quando são funcionários do sistema prisional, segundo uma das vítimas, o diretor prefere àqueles que não são concursados, já que, por conta do cargo que ocupa, pode exonerá-los.

“Ele nunca assediou um concursado. Ele sempre vinha em cima da parte mais fraca, que eram os contratados. Ele podia pegar e exonerar a qualquer momento. Dava conveniência administrativa a hora que ele quisesse. A palavra dele tem mais poder”, disse.

O presidente do Sindicato Agentes Sistema Penitenciário do Espírito Santo (Sindaspes), Rhuan Fernandes, afirma que pelo menos três policiais penais do Centro de detenção Provisório de Aracruz denunciaram o diretor.

“No início do ano passado, fomos procurados por servidores que não estavam aguentando mais o tipo de prática realizada pelo diretor na unidade de Aracruz. O sindicato prontamente acolheu os servidores e pedimos uma agenda junto ao representante da Secretaria de Justiça”, disse.

Como resposta às denúncias das vítimas, o Estado decidiu transferir os policiais penais e o diretor. A decisão é criticada pelo sindicato e pelas vítimas, já que o suspeito não foi afastado do cargo.

Denúncias continuaram em outro presídio

Depois das denúncias de assédio sexual, Dantas foi transferido para a Penitenciária de Segurança Média II, em Viana. O presídio foi inaugurado em 2021 como referência na detenção de pessoas gays, lésbicas e transexuais que, por muitas vezes, sofriam crimes e preconceitos em presídios comuns.

No local, ele teria feito outras vítimas. Um detento conta que Dantas ofereceu trabalho em troca de sexo oral.

“Eu estou sendo assediado sexualmente. Tô aqui h´a um ano e dois meses. O diretor já me tirou várias vezes para ‘tá’ oferecendo um trabalho, me oferecendo um projeto, em troca de sexo oral. Eu não quis, relatei para ele que só queria o estudo, mas mesmo assim ele continuou me chamando várias vezes e mantendo a proposta”, relatou.

Quando tomou coragem para denunciar, o detento foi retirado da unidade por segurança.

“Eu tive medo até um certo tempo, mas eu não tenho mais. Eu vou falar porque estava me corroendo. Eu não tinha para quem falar. O meu amigo de cela também vai relatar o que está acontecendo”, disse.

A denúncia já foi formalizada para o Ministério Público, que está apurando os fatos. Os presos já foram ouvidos.

“Tem um procedimento em andamento no Ministério Público, uma denúncia que já foi formalizada no Ministério Público de Viana. Alguns presos já foram ouvidos. Estamos aguardando a tomada de providências”, garante o presidente do Sindaspes.

Vítimas relatam trauma após assédios

As vítimas relatam problemas psicológicos após os assédios. “Eu comecei a beber para relaxar. Estava bebendo muito, agora que até conseguir parar um pouco”, disse o policial penal.

“Eu fiquei com medo de ser perseguido, porque eu fui o único a sair por causa do fato de eu ter me autolesionado porque não queria ir a uma galeria”, relatou o detento.

O que diz o acusado? 

O diretor penitenciário Dantas Campostrini Vieira é investigado pelo Ministério Público. Ele é suspeito de crimes contra a dignidade sexual e importunação sexual.

A reportagem encontrou em contato com o diretor por telefone, que se negou a conceder entrevista sobre o caso. “Não, não tenho interesse, não”, afirmou.

O que diz a Sejus?

Em nota, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) disse que foram instaurados dois procedimentos preliminares de investigação para obtenção de suficientes indícios de materialidade e autoria, sendo um deles em relação às denúncias referentes ao Centro de Detenção Provisória de Aracruz e outro relativo à Penitenciária de Segurança Média 2.

“A Sejus ressalta que os procedimentos instaurados também asseguram ao investigado o direito de defesa e reitera que todas as denúncias recebidas pela Corregedoria recebem a devida avaliação para abertura de procedimento investigativo, sendo aplicadas as medidas e penalidades cabíveis nos termos da legislação em vigor, com estrita observância das garantias constitucionais.”

Fonte: Folha Vitória

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