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A namorada do jovem Chesley de Oliveira Trabach, de 20 anos, que foi morto por policiais militares durante uma abordagem no bairro Mucuri, em Cariacica, no Espírito Santo, prestou depoimento à Corregedoria da Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (30). O relato foi ouvido no Quartel de Maruípe, em Vitória, e outros familiares da vítima estiveram no local.

A dona de casa Milena Rocha falou por cerca de uma hora aos policiais que apuram o caso. Ela contou aos militares o que teria presenciado no dia da morte do namorado.

“Eu estava dormindo, aí escutei um tiro, mas continuei dormindo. Foi quando escutei meu cunhado entrando e falando com a minha irmã: ‘Joice, o Chesley’. Foi quando me toquei, botei uma toalha e fui no portão e vi que ele estava caído no chão. Voltei, vesti uma roupa e fui lá nele. Fui tentando me aproximar dele e na hora que eu consegui botar a mão na cabeça dele um policial foi e me empurrou, não quis deixar. Pegaram ele como um lixo e botaram dentro do camburão. Foi a parte mais difícil que eu vi. Ele não estava mais vivo naquele momento”, declarou Milena.

Milena prestou depoimento na Corregedoria da PM, em Vitória — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Segundo a advogada da família de Chesley, Gizelly Bicalho, o jovem não estava armado, não tinha envolvimento com crimes e foi covardemente assassinado por policiais militares que faziam parte da equipe responsável pela abordagem.

“É claro nesse caso que a Polícia Militar atira e depois ela pergunta quem é. O Chesley estava andando de moto, indo trabalhar, ele acordava todo dia cedo. A polícia vai atrás dele, dá um tiro pelas costas, o Chesley para a moto, fala que é trabalhador e inocente, a polícia efetua um segundo disparo, o Chesley começa a cair e na hora em que ele já está no chão, a polícia dá o tiro fatal, que é onde ele morre. Qual foi o crime que ele cometeu? É por que era um rapaz magro, que estava sozinho em uma moto, andando em um bairro periférico? Isso é crime?”.

Pai pede justiça

O pai de Chesley, Welton Trabach, acompanhou a namorada do filho até o Quartel de Maruípe. O comerciante afirmou que o filho era inocente e que aguarda que a justiça seja feita. Ele pede que os policiais envolvidos no crime sejam punidos.

“A família quer justiça e a população quer resposta. Queremos falar para a população o que aconteceu, que fato aconteceu, quem era o errado e quem era o certo”, falou.

Welton Trabach pede que responsáveis pela morte de Chesley sejam responsabilizados — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Welton Trabach contou ainda que a advogada da família entregou à Corregedoria da PM vídeos que mostram como os militares agiram durante a abordagem que resultou na morte de Chesley.

“O vídeo mostra a viatura andando normal, sem nenhum tipo de perseguição, conta o fato do meu filho estar só em cima de uma moto e conta a hora do acontecido e o horário do socorro dele, da saída do local, os policiais retirando ele do local, colocando de maneira bruta na viatura e socorrendo de maneira incorreta”, concluiu.

Outro lado

A Polícia Militar declarou que a Corregedoria da Corporação instaurou um procedimento para apurar a ação, como de praxe em qualquer ocorrência que envolva disparo de arma de fogo por parte de militares. O órgão ressaltou que, até que surja novos fatos, o afastamento dos policiais envolvidos no caso não é necessário.

A Polícia Civil disse que o caso está sendo investigado pelo Serviço de Investigação Pericial e que o laudo pericial final realizado no corpo de Chesley confirmou a presença de pólvora na mão da vítima. O órgão pontuou, porém, que as investigações continuam.

O caso

Chesley de Oliveira Trabach, de 20 anos, foi morto durante uma abordagem da Polícia Militar no bairro Mucuri. Em nota à época, a PM disse que iria abordar dois suspeitos, mas eles reagiram e atiraram contra os policiais. Os militares, então, revidaram ao ataque, atingindo o jovem com dois tiros no peito e um no braço.

Um vídeo gravado por moradores mostra o momento em que policiais militares colocaram o homem desacordado dentro do camburão.

Na gravação, uma mulher contesta a ação dos policiais e diz “ele não é lixo”. Também é possível ouvir a população gritando que o homem era “trabalhador”.

FONTE: G1 ES

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