Norte do ES: golpistas se passavam por clientes de banco para desviar dinheiro de contas milionárias

Os alvos eram correntistas idosos e contas com dinheiro de heranças, por exemplo. Cinco pessoas foram presas na última segunda (13).

Uma quadrilha que desviava dinheiro de contas milionárias foi desarticulada na última semana, no Espírito Santo. Os alvos eram correntistas idosos e contas com dinheiro de heranças, por exemplo. As investigações apontam que os golpistas se passavam por clientes de banco para o esquema funcionar. Uma funcionária do banco e outras quatro pessoas suspeitas de envolvimento com o golpe foram presas, na última segunda-feira (13).

Os golpes aconteceram em Montanha, no Norte do Espírito Santo, com a ajuda de uma assistente de negócios do banco. A quadrilha prometia para ela de 5% a 25% de cada transação criminosa.

Golpe

Em um dos golpes, em março deste ano, uma idosa se passou por uma mulher de 92 anos com Alzheimer. Ela entrou no banco acompanhada de um suposto sobrinho para transferir dinheiro de uma conta bancária.

Com documentos falsos, os golpistas conseguiram fazer duas ordens de pagamento para a quadrilha, no valor de R$ 430 mil.

Uma parente da vítima contou que a conta era para aplicação. “Era uma conta de aplicação que ela não mexia há anos. Que só ficava parada, rendendo”, disse.

Quando os golpistas chegaram ao banco, a assistente envolvida no esquema mudou a senha da idosa e acessou a conta.

A assistente de negócio mantinha contato com os criminosos. Em uma ocasião, ela reclamou do farsante por uma mensagem. “Chegou lá fedendo cachaça. Todo desleixado”.

Investigação

A polícia e o Banco do Brasil, responsável pela agência onde foi aplicado o golpe, passaram a investigar o caso e descobriram um grande esquema para desviar dinheiro de contas milionárias. Algumas com mais de R$ 30 milhões.

As vítimas eram, principalmente, idosos e responsáveis por espólios – pessoas que guardam dinheiro de herança, antes da partilha.

De acordo com a delegada da Delegacia de Defraudações (Defa), Rhaiana Bremenkamp, o perfil das vítimas foi escolhido porque geralmente são pessoas que não acompanham as contas tão frequentemente.

“Elas eram escolhidas em função de uma pessoa idosa não acompanhar tanto essa conta, do espólio não ter um advogado tão presente. Sem essa funcionária, o protocolo do banco seria seguido e de forma muito simples teriam verificado que a senhora não era a correntista”, explica a delegada.

De acordo com a investigação, além de facilitar o golpe, a funcionária também procurava novas vítimas para o esquema. Usando o sistema do banco, ela procurou possíveis vítimas em todas as regiões do Brasil.

Nos últimos cinco meses, a funcionária acessou 87 contas milionárias, principalmente dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Depois disso, ela repassava para a quadrilha as informações do correntista e quanto tinha na conta.

Funcionáriade banco no ES acessou contas de possíveis vítimas — Foto: Reprodução/ TV Globo
Funcionária de banco no ES acessou contas de possíveis vítimas — Foto: Reprodução/ TV Globo

“A principal função dela era verificar os extratos da conta. Isso não é uma atribuição comum ao cargo que ocupa”, diz a delegada.

Golpe do golpe

A investigação ainda aponta que a funcionária responsável por facilitar os desvios e os golpistas que se passaram por correntistas não receberam o dinheiro combinado com a quadrilha.

O dinheiro foi desviado para uma conta de Contagem, em Minas Gerais. A empresa, porém, que seria dos chefes da quadrilha, não existe.

Sem receber o dinheiro combinado, um dos golpistas que tinha sido contratado para se passar por correntista volta ao banco, no dia 23 de abril, com outra idosa, para transferir mais dinheiro da conta da idosa milionária de Montanha. Porém, a conta já tinha sido bloqueada.

Prisões

No mesmo dia da tentativa fracassada de tentar transferir o dinheiro da conta, 13 de maio, parte da quadrilha foi presa.

A idosa, de 75 anos, usada no primeiro golpe na agência confessou tudo. Ela disse que receberia R$ 10 mil para se passar pela correntista. A idosa usada no segundo golpe não foi identificada.

A funcionária também confessou a participação no esquema para a polícia. “Se qualquer coisa desse errado, ela ia perguntar para a senhora se ela era hipertensa. Essa era a senha para os golpistas saberem que deu errado e era para saírem imediatamente”, revela a delegada.

Ao Fantástico, o Banco do Brasil informou que mantém estrutura para prevenção a fraudes e pode detectar a atuação de golpistas por meio de sistemas e soluções de segurança.

A Febraban, Federação Brasileira de Bancos, disse que todos os bancos mantêm equipes que atuam exclusivamente no combate a esse tipo de crime e que treinamentos são realizados periodicamente.

As cinco pessoas detidas na segunda-feira (13) continuam no sistema prisional.

Fonte: Site Barra

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