Nova terapia genética salva paciente com câncer terminal

Com uma expectativa de viver menos de um ano e já em uma dura rotina de doses diárias de morfina contra as dores, um paciente com câncer terminal teve as esperanças renovadas, após se submeter a uma terapia genética inédita no País.

Equipe médica que atendeu o aposentado Vamberto Castro (centro) no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (Foto: Divulgação/HCFMRP)

Equipe médica que atendeu o aposentado Vamberto Castro (centro) no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (Foto: Divulgação/HCFMRP)

O funcionário público aposentado Vamberto Luiz de Castro, de 62 anos, foi submetido a uma técnica, conhecida como terapia de células CAR-T, realizada de maneira integral no País pela primeira vez no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), vinculado à USP (Universidade de São Paulo).

Vamberto vinha lutando contra um linfoma há mais de dois anos e não reagiu bem a outras intervenções por quimioterapia e radioterapia, e foi tratado então no projeto.

Segundo os médicos, Castro respondeu bem ao tratamento e, após quatro dias, deixou de sentir as fortes dores. Após uma semana, voltou a andar. Agora, ele não tem os nódulos linfáticos pelo corpo.

O paciente foi incluído em um ensaio clínico em que teve retiradas de seu sangue células do sistema imunológico. Elas foram geneticamente alteradas em laboratório e devolvidas a seu organismo para atacar o tumor.

As células de Vamberto foram alteradas em um projeto coordenado pelo médico Dimas Tadeu Covas, coordenador do centro de pesquisa, e pelo médico Renato Cunha, do Laboratório de Terapia Celular Avançada, da USP de Ribeirão.

O trabalho, que envolveu só instituições públicas, ofereceu ao paciente a terapia que chega mais de US$ 1 milhão (R$ 4,1 milhões).

“Não gastamos nem 10% desse valor, porque a tecnologia é toda nossa. A gente quer ter o nosso produto validado para uso, mas para licenciar pelo SUS”, disse Cunha.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, mais 10 pacientes devem ser selecionados para o projeto em seis meses. A indicação hoje é para tipos específicos de leucemia e linfoma.

Vamberto, o primeiro brasileiro submetido à terapia, deve obter alta na semana que vem, e continuará a ser monitorado pelos médicos, que observarão se a remissão do câncer vai se manter ao longo dos anos.

Fonte: Tribuna

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