Petroleiros com covid-19 ficam isolados em plataformas no litoral do ES

Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo diz que 10 trabalhadores com covid-19 não desembarcaram da plataforma P-58

Pelo menos 13 petroleiros positivados para covid-19 na última semana não desembarcaram das plataformas de extração de petróleo P-57 e P-58, localizadas no litoral sul do Espírito Santo. Eles estão isolados em camarotes, mas quem teve contato com eles continua trabalhando.

As informações são do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), que recebeu relatos dos trabalhadores das próprias plataformas atingidas pelo surto de coronavírus. Para o sindicato, a situação é grave e representa risco de mais contaminações.

“Segundo o protocolo sanitário, esses trabalhadores com coronavírus deveriam já ter sido desembarcados e encaminhados para um hospital, se apresentassem sintomas, ou para isolamento em hotel, se estivessem assintomáticos. Permanecendo em alto-mar, eles podem não ter a assistência médica especializada em caso de emergência”, explica o coordenador-geral do Sindipetro-ES, Valnísio Hoffmann.

Ele detalha que a preocupação de contágio também se aplica a quem entrou em contato com os positivados. “Os chamados contactantes não pararam de trabalhar e estão cumprindo seus turnos sem nenhum tipo de cuidado por parte da Petrobras. E num cenário em que a variante Ômicron é mais transmissível, isso torna mais urgente que se resolva a situação para o bem-estar e a saúde de todos os trabalhadores”, destaca.

Segundo o Sindipetro, cada plataforma tem um contingente de 150 funcionários, exercendo as mais variadas funções. “Questionamos as gerências responsáveis sobre o transporte de quem positivou e a resposta foi que há um problema de logística de uso de aeronaves. Porém, o embarque e desembarque de trabalhadores não parou. Essas pessoas podem estar levando o vírus para os colegas de trabalho e também para as suas casas, para suas famílias”, alerta.

O coordenador também aponta que as condições de isolamento dos positivados favorece a propagação do vírus nas plataformas. “O ar-condicionado é um de um sistema centralizado de refrigeração, ou seja, o ar refrigerado é compartilhado. Isso é mais risco para disseminação da doença”, aponta.

O Sindipetro-ES afirmou que enviou ofício cobrando uma solução imediata, mas não teve retorno da gerência das plataformas.

Hoffman diz que o clima de apreensão tomou conta dos trabalhadores a bordo, que não descartam uma greve sanitária, caso o desembarque dos infectados e isolamento dos contactantes não ocorra.

“Nosso departamento jurídico irá entrar nesta quarta-feira (19) com uma representação junto ao Ministério Público do Trabalho contra essa atitude irresponsável da Petrobras, que coloca a saúde dos trabalhadores e de seus familiares em risco”, planeja.

A P-57 e a P-58 são plataformas do tipo FPSO (sigla em inglês que significa unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo). Elas possuem capacidade para processar diariamente até 180 mil barris de petróleo e seis milhões de metros cúbicos de gás natural. Estão localizadas no litoral Sul do Espírito Santo entre os municípios de Presidente Kennedy, Marataízes, Itapemirim e Anchieta, a 80 km da costa capixaba.

Outro lado

A Petrobras foi procurada para saber quais medidas serão tomadas frente ao surto de coronavírus nas duas plataformas. Quando a resposta for enviada, a matéria será atualizada.

Fonte: Folha Vitória

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