Referência artística e cultural de Vitória, Mercado Capixaba está abandonado há mais de 10 anos

Abandonado no meio de duas importantes avenidas da Capital do Espírito Santo está o Mercado da Capixaba. Após 10 anos fechado, o local acumulou infiltrações, mofo, rachaduras e até plantas nasceram no concreto da construção.

Agora, o que foi um importante ponto de encontro nas décadas passadas, se transformou em uma montanha de poeiras e promessas.

Construído em 1926, o prédio está entre as avenidas Jerônimo Monteiro e Princesa Isabel, no Centro de Vitória. A imagem atual do local não lembra nem de longe a verdadeira importância cultural que o espaço possui.

“Esse prédio já foi referência artística e cultural da nossa cidade. Aqui já foi o mercado mais tradicional da cidade e existiu até a Rádio Espírito Santo”, contou o agitador cultural Raimundo Oliveira.

Grande movimento nas décadas passadas
Fotografias antigas mostram a beleza arquitetônica do mercado, a movimentação no entorno e a força do comércio da região. O Centro de Vitória vivia o auge e o prédio era um importante ponto de encontro entre comerciantes, negociadores e clientes.

“O mercado é uma construção que possui formas arquitetônicas neoclássicas e eclética. Na época tinha o objetivo de substituir o mercado municipal que existia no mesmo lugar, mas que a estrutura já não atendia a demanda comercial. Essa realidade de abandono contrasta com a importância que o mercado teve nas décadas passadas”, afirmou o historiador Marcus Vinícius Santana.

Cláudio Rodrigues é comerciante da região e lembra da época em que o Mercado da Capixaba reunia o melhor do artesanato do Espírito Santo e atraía vários turistas.

O abandono e o descaso com o mercado traz uma imagem ruim para o Centro de Vitória e prejudica o comércio no entorno. Para Cláudio, a restauração seria bom para todos.

“O mercado é um reflexo do comércio no entorno. Ele funcionando bem, as lojas e o comércio geral também funcionam bem. Ele fechado é um ponto negativo para os demais comércios”, apontou o comerciante.

O comerciante Natan Miranda fez parte da última geração de vendedores de artesanato que trabalhavam no mercado.

“Era uma vida muito boa, o movimento era ótimo e vinha quase cinco ônibus cheios de turistas”, lembrou.

Foto: Acervo / Fábio Pirajá

O prédio foi construído em 1926 e na década de 1980 foi tombado, tornando-se patrimônio histórico.

Desde então, já foram várias promessas de restauração, mas nenhuma saiu do papel. A última fala em um obra de quase R$ 10 milhões.

O presidente da Associação de Comerciantes do Centro, Sidney Ferreira, acompanha essas promessas de restauração e vive a frustração de ver que o tempo passa e nada é feito. Pelos menos três prefeitos diferentes já prometeram restaurar o Mercado da Capixaba.

“Há muito tempo os comerciantes e outras instituições estão acompanhando a história do mercado. A gente está pensando que esta gestão está muito próxima de reformar o Mercado da Capixaba porque nessas reuniões, tem projeto a ser apresentado. Inclusive uma rua de lazer ao lado e isso vai gerar mais emprego e renda para o município e para o Estado”, aponta.

Projeto de restauração do Mercado Capixaba

Um projeto atual de restauração foi discutido com moradores e comerciantes do Centro. Sidney prevê a recuperação da fachada, a restruturação da parte interna, do pátio e até uma rua de lazer no entorno.

O secretário de Desenvolvimento da Cidade e Habitação de Vitória, Marcelo de Oliveira, ressaltou a importância econômica do mercado.

“O Mercado da Capixaba é um ícone do desenvolvimento do Espírito Santo e da própria cidade de Vitória. Ele tem esse nome porque a Avenida Jerônimo Monteiro se chamava Avenida da Capixaba e os navios ficavam onde hoje é a Avenida Princesa Isabel. O mercado era esse ponto de distribuição e de comercialização das riquezas do Estado”, explicou o secretário.

O dinheiro já existe, o projeto está quase pronto. Agora, no entanto, falta ainda a licitação. “Esse cronograma de execução de obra ainda não está definido. Isso vai ser feito no momento da publicação do edital. É uma obra complexa, eu costumo falar que é uma obra de arte, mas também é uma obra que vai trazer um novo encanto para o entorno do mercado”, disse o secretário.

Fonte: Folha Vitória

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