Sem peças da China, indústrias do Brasil ameaçam parar produção

Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) com as fabricantes de produtos do setor eletroeletrônico mostrou que 22% das empresas ameaçam parar de produzir nas próximas semanas se as peças da China não voltarem a ser entregues.

As maiores prejudicadas são as do setor de tecnologia da informação (celulares, computadores, tablets), mas praticamente todos os produtos nacionais dependem ao menos de uma peça, seja placas, circuitos ou chips chineses, explicam os representantes das fabricantes nacionais. E como não é possível colocar no mercado um item incompleto ou substituí-lo sem longo estudo por um similar local ou de outro país, parar as máquinas acaba sendo inevitável.

Segundo a Abinee, 52% das entrevistadas já têm problemas com a produção por não estarem recebendo materiais, componentes e insumos da China desde a crise provocada pelo novo coronavírus, que paralisou a economia do país asiático.

A China é a principal fornecedora internacional de componentes ao Brasil — só em 2019, o setor comprou US$ 7,5 bilhões em peças ou insumos, 42% de tudo o que foi importado no ano passado.

O levantamento da associação mostra que mesmo as indústrias que ainda não foram prejudicadas afirmaram que se o abastecimento não se normalizar nos próximos 20 dias será muito difícil conseguir manter o ritmo de atividade nos próximos meses.

“Estamos muito preocupados com os impactos na produção do setor e continuamos avaliando a situação de perto”, afirma o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato.

Além da China, responsável por 42% das importações, outros 38% dos componentes utilizados pelas indústrias de elétricos e eletrônicos vêm de países de outros países da Ásia.

A pesquisa foi realizada no dia 5 de fevereiro de 2020, com a participação de cerca de 50 indústrias das diversas áreas do setor eletroeletrônico.

Segundo a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Elétricos e Eletrônicos), que representa indústrias da linha branca (fogões e geladeiras), marrom (TVs) e portátis (ventiladores, aspiradores de pó, ferro de passar) o estoque de peças mantém a produção do Brasil pelos próximos 15 dias.

Entre os insumos que chegam por navio, o estoque nacional é capaz de abastecer as indústrias por 90 dias, diz a Eletros.

Fonte: R7

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