Sindicato dos Médicos e CRM encontram cenário caótico em hospitais do norte e noroeste

Hospitais das regiões norte e noroeste passaram, no último final de semana, por vistorias do Sindicato dos Médicos do Estado (Simes) e do Conselho Regional de Medicina, seccional Espírito Santo (CRM-ES). O resultado das blitze, como a fiscalização é chamada pelas entidades, assustou até quem está acostumado em lidar com os problemas da saúde pública há décadas.

Entre os graves problemas detectados estão: número insuficiente de clínicos gerais e pediatras nos prontos-socorros, falta de leitos e de resolutividade (exames que demoram até cinco dias, por exemplo) para reduzir o tempo de internação, o que leva à superlotação e ao absurdo da improvisação, com pacientes (incluindo crianças) e acompanhantes em cadeiras de plástico.

E ainda excesso de trabalho para os profissionais; infraestrutura sucateada, falta de material, de equipamentos e de outros insumos. Outro flagrante: enquanto faltam clínicos gerais e pediatras para desafogar os hospitais que atuam de portas aberta, médicos contratados por cooperativas são maioria em algumas unidades.

Foram vistoriados hospitais de Linhares (Hospital Geral de Linhares, que é municipal, e o filantrópico Rio doce), de São Mateus (o estadual Roberto Silvares), de Barra de São Francisco (o estadual Dra. Rita de Cássia) e de Colatina (o estadual Silvio Avidos).
Situações Graves 
Uma das piores situações foi verificada no Hospital Geral de Linhares (HLG), gerido pelo município, onde a comitiva do Simes e do CRM-ES flagrou um cenário de caos, com superlotação, escalas “furadas”, sobrecarga de trabalho, falta de medicamentos e de exames de diagnóstico, como endoscopia e ultrassonografia de emergência. A unidade foi considerada “um barril de pólvora” pelo presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), Otto Baptista.
“São questões simples e que, por má gestão, lotam os corredores e comprometem o fluxo de atendimento”, afirmou Otto, que completou: “a situação pode, a qualquer momento, gerar agressões aos médicos. Faltam especialidades para atender à demanda, sobretudo pediatras, ortopedistas e cardiologistas”.
A situação caótica do HGL de Linhares não é nada diferente do Hospital Estadual Roberto Silvares, em São Mateus. No local, foram detectados corredores cheios, além da falta de leitos de retaguarda. Grande parte do corpo clínico é formada por médicos de cooperativas, faltando clínicos gerais e pediatras. “A ausência de número adequado de clínicos gerais e pediatras faz com que os pacientes fiquem nos corredores”, constatou o presidente do Simes, Otto Baptista.
Já em Barra de São Francisco, foi vistoriado o Hospital Estadual Dra. Rita de Cássia, cujo edital de terceirização já foi divulgado pelo governo do Estado. Na unidade, os próprios servidores relataram a precariedade. “A situação não é boa, são muitos pacientes nos corredores, que vêm de várias cidades e até de outros estados. Faltam medicamentos, leitos, materiais hospitalares. A realidade é que os médicos operam milagres”, narrou uma enfermeira que preferiu não ser identificada.
“Nada mudou no Hospital Dra. Rita de Cássia, em Barra de São Francisco”, disse o presidente do Simes, Otto Baptista, que realizou uma vistoria na unidade em 2016. Para ele, os setores em pior situação são os de urgência e emergência e a maternidade. “Falta respeito, privacidade e dignidade com as gestantes”, alertou Otto.
Hospital Sílvio Avidos
No Hospital Estadual Sílvio Avidos, em Colatina, o maior problema foi verificado no Pronto-Socorro, que, durante a vistoria, contava com apenas um clínico-geral e um cirurgião para atender toda a demanda, tornando o atendimento quase impossível. “Vimos um ambiente de trabalho desestruturado. Médicos tendo que buscar vagas para pacientes e até fazendo papel de assistente social. É por essa razão que muitos médicos não ocupam postos de trabalho neste hospital”, argumentou Baptista.
No Silvio Avidos, pediatras, sozinhos, chegam a cuidar de mais de 60 crianças. Tanto em hospitais estaduais quanto o municipal HGL, exames simples levam de 72 horas a cinco dias para ficarem prontos, contribuindo para a falta de leitos e superlotação.
Filantrópicos 
Os representantes do Simes e do CRM constataram que a estrutura dos hospitais filantrópicos está em melhor situação comparada a das unidades públicas (estadual e municipal), a exemplo do Hospital Rio Doce em Linhares. “É um contraste enorme dentro do mesmo município entre os dois hospitais, HGL e Rio Doce”, disse Otto.
Em Colatina, a Maternidade São José, para as entidades, tem maternidade e centro cirúrgico “com ótima organização, bem equipadas para atender às demandas da população de Colatina com tecnologia de ponta”. Informações Século Diário
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