Torcedor do Galo que se alimentava com ração ganha emprego e casa nova: ‘Já tinha desistido da vida’

A história de um torcedor do Galo cuja sobrevivência dependia de ração de cachorros gerou, há um ano, uma rede de solidariedade nas redes sociais. Jorge Gomes, 52, mal poderia esperar que com a ajuda de amigos, do clube do coração e até mesmo de torcedores rivais, conseguiria um emprego e uma casa para chamar de sua.

“Eu já tinha me entregado, já tinha desistido da vida. Eu tava sofrendo demais da conta, tudo negativo, eu tava a ponto de virar mendigo. Talvez meu destino poderia até ser outro, não sei. Mas Deus colocou anjos na minha vida pra me ajudar e eu tô vivendo um grande sonho”, conta ele, ao BHAZ, com empolgação na voz.

O sonho de Jorge foi construído a muitas mãos, mas um par delas foi especialmente importante para que ele saísse dos papeis. Cleison Borges, líder comunitário da Cufa (Central Única das Favelas) em Igarapé, na Grande BH, foi quem descobriu a realidade enfrentada pelo homem e arregaçou as mangas para mudá-la.

“A gente arrecadou R$ 36 mil em uma vaquinha virtual pra fazer a casa dele, tivemos que pedir ajuda em depósitos, descontos, por que o dinheiro ainda foi pouco. Tô indo lá na casa dele levar um fogão e uma geladeira que conseguimos, tô tentando uma cama também”, conta Cleison, ao BHAZ.

‘Nunca vi cerâmica na minha vida’

As obras da casa de Jorge levaram cerca de um ano para serem concluídas. As fortes chuvas que atingiram a Grande BH neste ano atrapalharam um pouco o andamento do projeto, mas Cleison celebra todo o apoio que recebeu nos últimos meses.

“Tivemos ajuda do Tardelli e do Instituto Galo, foi tudo construído por um conjunto de pessoas. Há duas semanas consegui arrumar um emprego pro seu Jorge, ele tá trabalhando como servente de pedreiro, tá muito contente e a previsão é de ele já mudar pra casinha nova dele nessa semana”, disse.

Há um ano, Jorge vivia em condições precárias de habitação, além de, muitas vezes, precisar se alimentar com ração de cachorro para sobreviver. Para ele, a sensação de poder se alimentar adequadamente e ter condições dignas de moradia são um sonho realizado.

“Jamais esperava ter uma casa com banheiro, uma varanda, uma cerâmica. Eu nunca vi cerâmica na minha vida, só na casa dos outros. Na minha mesmo nunca vi. Eu tô feliz demais. Graças a Deus agora tenho uma casa com chuveiro, com banheiro, tô no paraíso! Aquela fumacinha que sai na água, ô que coisa boa!”, celebra.

Jorge não vê a hora de se mudar para a casa nova (Cleison Borges/Arquivo pessoal)

Apoio das torcidas

Em vídeo que viralizou nas redes sociais no ano passado, Jorge conta que o que mais lhe fazia falta no dia a dia era um banheiro. Ao BHAZ, ele comemorou a conquista e diz que mal pode esperar para tomar um banho quentinho na própria casa.

“Eu posso ir pra lá e dormir no chão, sem problema nenhum. Só de ter uma casa quentinha, o chuveiro quente. A última vez que tomei banho em um chuveiro quente foi quando eu trabalhava fichado, em 2013. Muitos anos, né? De vez em quando eu tomo banho na casa de um pedreiro daqui, mas não é todos os dias que a gente pode ir na casa dos outros pra tomar banho, fico com vergonha”, conta ele.

A alimentação de Jorge também mudou radicalmente de um ano pra cá. Além de ter seu próprio dinheiro para se alimentar, ele também recebe muitas doações de cestas básicas. Torcedor fanático do Galo, Jorge conta, com felicidade, que grande parte dessa ajuda chega de onde ele menos esperava: da torcida do Cruzeiro.

“Até alguns rivais me ajudaram, também tenho muito o que agradecer. Em uma causa solidária todo mundo põe a mão. Mas quando a gente abraça uma cor, aquela cor apoia um pouquinho mais, né? No meu caso, a cor preto e branca”, finaliza ele.

Fonte: BHAZ

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here