Vídeo mostra momento em que PM ameaça e joga spray de pimenta em jovens em Cariacica

O que era para ser uma noite de diversão terminou em confusão. Jovens afirmam que foram abordados e agredidos por policiais militares na frente de uma casa de shows, em Cariacica.

Foto: Reprodução/ WhatsApp TV Vitória

O grupo gravou o ocorrido na madrugada de sábado (23). Testemunhas que estavam no local disseram que o policial teria se aproximado de uma das jovens e a ofendido.

As imagens mostram quando uma das moças se afasta caminhando calmamente, sem reagir. Mesmo assim, o PM foi atrás e lança um jato de spray de pimenta nela. Ao perceber que estava sendo filmado o militar sai em direção das pessoas. De repente, o vídeo registra quando ele saca a arma e parece efetuar um disparo para frente. O policial ainda corre atrás da pessoa que estava filmando.

Segundo os jovens que estavam na rua, as cenas foram feitas após uma abordagem de dois rapazes. A jovem que aparece no vídeo recebendo um jato de spray de pimenta conversou com a equipe da TV Vitória/Record TV. Ela contou que, no momento em que vídeos foram feitos, ela estava tentando acompanhar a abordagem que os policiais faziam ao namorado dela.

“Eu fiquei parada. Ele pediu para mim sair de perto. Eu me afastei e fui para o outro lado da rua, assim mesmo ele foi para cima de mim e falou para eu sair. Eu falei: ‘meu senhor, só estou esperando meu esposo’. Eu fiquei parada sem falar nada, foi ai que um outro policial puxou um spray e atacou no meu rosto. Eu andei um pouco, ai veio outro que estava me xingando e jogou o spay de novo”, disse.

O namorado contou que está com medo de possíveis represálias por parte dos policiais.

“Eu fui observar a abordagem que eles estavam fazendo ao meu amigo e acabei que, ao chegar próximo, eles acabaram me abordando. Estavam muito agressivo, falaram: ‘vem negão, encosta aqui e coloca a mão na cabeça’. Cheguei, eles chutaram minhas pernas, apertou meu pescoço e em seguida me deu um soco na boca do estômago”, contou.

Outro jovem contou que foi abordado de maneira violenta e afirma que nada de ilícito foi encontrado com ele.

“Chegaram com a viatura toda apagada e já me abordando. Falaram: ‘vai gordinho, vai gordinho’. Coloquei a mão na traseira do carro, já vieram me revista. Em nenhum momento acharam drogas e nem nada”, contou.

Os jovens que foram agredidos disseram que estacionaram os carros na rua dos fundos da casa de shows. Eles contaram que acharam estranho que os polícias não pediram nenhum documento de identificação e nem perguntaram o nome durante a abordagem.

Os jovens contaram, ainda, que a todo momento pediam para que os policiais revistassem eles e os veículos para provar que não havia nada de ilícito.

“No momento, a única defesa nossa era essa. Falei assim: ‘senhor, puxa os nossos documentos. Nós somos trabalhadores. Revista o nosso carro’. Mas eles não quiseram saber, eles só ameaçaram e bateram a todo tempo”, disse.

Os jovens abordados não foram levados para delegacia. Todos foram liberados no local. No entanto, segundo o grupo, os policias fizeram ameaças de morte caso o vídeo fosse divulgado.

“Eles chegaram a ameaçar, querendo o vídeo de qualquer maneira. Falaram que se não déssemos conta dos vídeos, eles iam matar a gente. Ameaçaram se os vídeos vazassem para as redes sociais, eles iam achar a gente de qualquer maneira”, disse.

Revoltados, os jovens registraram boletim de ocorrência contra os policiais militares.

O que diz a Polícia Militar?

A Polícia Militar disse que os militares foram informados pelo Ciodes, na madrugada de sábado (23), de que uma pessoa, possivelmente armado, estaria nas proximidades de uma casa de show no bairro Rio Branco, em Cariacica.

Segundo a PM, uma equipe da Força Tática intensificou o patrulhamento na região para tentar localizar o suspeito. No momento em que os policiais passavam na rua atrás da casa de show, avistaram um grupo.

Ao perceberem a presença da equipe, segundo a polícia, dois suspeitos mudaram repentinamente de direção. Diante da atitude, os rapazes foram abordados. No entanto, de acordo com a polícia, nada de ilícito foi encontrado.

Durante o procedimento de abordagem, ainda segundo a polícia, integrantes do grupo tentaram atrapalhar o trabalho policial, mas não foi possível detê-los.

A Polícia Militar destacou que qualquer pessoa que tenha se sentido prejudicada com a atuação da PM no local, pode procurar a Corregedoria da Corporação e formalizar uma denúncia.

O que diz a Associação dos Cabos e Soldados do ES

Segundo o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do ES, Jackson Eugênio Silote, o departamento jurídico da instituição está acompanhando de perto o caso. Ele alega que os militares estão sendo acusados injustamente de terem efetuado um disparo na direção de uma pessoa durante a abordagem policial.

Ainda de acordo como o presidente da Associação, os policiais foram encaminhados para a região para averiguar a denúncia de que teria um homem armado no local. Disse também que em momento algum, os militares efetuaram qualquer tipo de disparo.

“Muito pelo contrário, trabalharam de forma muito técnica e respeitosa, tanto na região, tanto com o abordado, quanto com as pessoas que estavam no local que tentaram tumultuar essa abordagem e criar transtornos e principalmente, dificultar o trabalho da Polícia Militar. Vale ressaltar que essa inversão de valores, essa tentativa de denegrir a imagem do policial militar e até mesmo distorcer os fatos, única e exclusivamente para denegrir os policiais militares tem que ser deixada de lado e a Associação dos Cabos e Soldados se mantém vigilante sempre na proteção desses militares que doam a sua vida diuturnamente na proteção da sociedade capixaba mesmo com o risco da própria vida. Então, nós manteremos aí o acompanhamento desses militares, nossos associados, mais uma vez, e também, depois de um final dessas apurações responsabilizar essa senhora por essa denúncia caluniosa contra os policial militares envolvidos na ocorrência”, informou o Cabo Eugênio.

Fonte: Folha Vitória

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