Violência cancela aulas e afeta aprendizado nas escolas da Grande Vitória

A violência na Grande Vitória, no Espírito Santo, atrapalha a rotina de alunos, pais e professores de escolas públicas. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), somente em 2019, cerca de 6 mil estudantes ficaram sem aulas devido a ameaças de toque de recolher e tiroteios em bairros de Cariacica, Vila Velha, Vitória e Serra.

Em março desse ano, em Cariacica, mais de 2.800 alunos ficaram sem aulas quando criminosos decretaram toque de recolher nos bairros Jardim de Alah, Campo Belo, Piranema, Jardim Botânico e Rio Marinho. Ao todo, foram 12 unidades prejudicadas por causa da insegurança.

O secretário de Educação de Cariacica, José Roberto Martins, contou que aulas ainda estão sendo repostas no município. “É um transtorno para a rede de ensino, uma vez que temos um calendário fixo anual e temos que fazer essas adequações. É fazer a reposição ainda no segundo semestre das aulas perdidas no primeiro semestre”, explicou.

Vila Velha

Em uma região conhecida como Cidade de Deus, em Vila Velha, também em março desse ano, um tiroteio deixou estudantes sem aulas. Os pais da crianças tiveram que voltar para buscar os filhos.

“Eu tive sorte que estava de folga no dia. Aí o colégio avisou e a gente veio pegar, mas não é fácil. Peguei ela e fomos em outro colégio pegar minha outra filha também. É muito assustador. Com certeza acaba atrapalhando o aprendizado delas, mas vamos fazer o que?”, lamentou uma mãe.

Escola Ângelo Zani, em Vila Velha, também foi fechada devido a toque de recolher — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Mais violência

Em abril, na escola Municipal Aureníria Correa Pimentel, no bairro Novo Horizonte, na Serra, alunos tiveram aulas suspensas após dois homens armados invadirem o local na hora do intervalo. Os criminosos agrediram e fizeram ameaças aos estudantes.

No bairro Tabuazeiro, em Vitória, um toque de recolher imposto por traficantes da região também deixou estudantes sem aulas em março de 2019.

Cartaz em escola da Serra mostra cancelamento de aulas — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Profissionais afetados

O estudo da Sedu revela ainda que pelo menos 1.159 profissionais da área da educação tiraram licença do trabalho por problemas psicológicos. O professor de português, Gilcinelio Serafim, é uma das vítimas da insegurança na Grande Vitória.

“Estou afastado há seis meses, vou ficar mais seis meses e volto em 2020, se eu melhorar, devido ao estresse causado pela violência dentro da escola. A gente começa a dar aula e pouco a pouco os alunos vão sumindo da escola, as salas de aulas vão se esvaziando e depois ficamos sabendo pelos pais e pelos funcionários da escola que foi por conta da violência. É assustador. Como vamos receber os alunos se estamos abalados psicologicamente e como enviar os alunos para as famílias se eles também estão abalados?”, questiona o professor.

As prefeituras de Cariacica, Vila Velha, Vitória e Serra informaram que as aulas que foram suspensas vão ser repostas ao longo do ano.

FONTE: G1 ES

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