As irregularidades com transporte de rochas continuam se repetindo

carreta com placas de granito presas por um nó

Veículo apreendido pela PRF transportava placas de granito de forma irregular, sem seguir normas de segurança.

A tragédia que matou 11 pessoas na BR-101, em Mimoso do Sul, completava duas semanas quando um caminhão carregado com chapas de granito foi apreendido pela polícia bem próximo do local do acidente, em Itapemirim, por fazer o transporte da carga de forma irregular.

Entre os perigos, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), várias chapas de granito com amarração arrebentada e emendada apenas com um nó.

Somente do último dia 10 – quando ocorreu a tragédia em que o micro-ônibus do grupo de dança alemã Bergfreunde foi atingido por chapas de granito de um caminhão que invadiu a contramão – até essa terça-feira (26), a PRF apreendeu seis caminhões com carga ou situação irregular.

Em um flagrante no domingo (24), o veículo transportava 94 chapas de granito de forma irregular e sem nota fiscal. A amarração da carga estava em desacordo com a resolução 354/2010 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e o veículo não possuía cintas na quantidade exigida por lei — ao invés de seis, tinha apenas três, além da amarração com nó.

“O não cumprimento das normas, como nesse caso, pode causar acidentes como os últimos que presenciamos na BR-101 e que estão entre as maiores tragédias do Estado. Em ambos, os veículos não atenderam os requisitos de segurança”, destacou a inspetora da PRF Danielle Fiorotte.

Questionada pela reportagem, a PRF não informou o nome do motorista e da empresa. Também não foi informado pela polícia se a empresa será investigada.

O motorista foi liberado após ser encaminhado à Polícia Civil e assinar um termo de ocorrência com base no artigo 132 do Código Penal, por “expor a vida de outrem a perigo direto”. O crime prevê detenção de três meses a um ano quando não constitui em algo mais grave, envolvendo morte, por exemplo.

O caso será julgado pelo Juizado Especial Criminal e o motorista será intimado para depor. O veículo e a carga seguem retidos pela PRF até a regularização.

O grande problema, na avaliação do superintendente da PRF no Estado, Willy Lyra, é que, mesmo com as punições, a sensação de impunidade faz com que motoristas e empresas continuem cometendo irregularidade.

“Só multa não resolve o problema, pois o veículo é parado e logo vai embora. A multa é paga e acaba compensando para a empresa.”

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