Bispo pede fim do machismo em missa de 7º dia em memória de médica assassinada

Amigos e familiares da médica, que usavam camisas com a foto dela e com a frase “Todos por Milena”, estavam muito emocionados durante a celebração que foi conduzida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória, Dom Rubens Sevilha.

A capela do Hospital das Clínicas ficou lotada durante a missa de 7º dia em homenagem a médica Milena Gottardi Tonini Frasson, no final da manhã desta quinta-feira (21).

A mãe e o irmão de Milena não compareceram à missa, pois tinham que ficar com as filhas da médica.

Em sua mensagem, o bispo pediu reeducação dentro das famílias para que homens e mulheres não eduquem os filhos com machismo. Ele também pediu justiça e disse que as leis tem de ser mais firmes.

Em entrevista, o bispo Dom Rubens Sevilha, opinou em algumas perguntas feitas, confira:

O que é esperado hoje para um crime nessas circunstâncias?

Dom Rubens Sevilha – Nós queremos pedir ajuda a Deus, pois só Deus diante do mal humano, da morte, dessas tragédias. Pedir ao senhor que aumente a nossa fé e nos dê esperança para lutarmos contra o mal fazendo bem.

Nós queremos na oração pedir força à família e também aos médicos para que possam continuar na luta fazendo o bem e que o mal não pode vencer. Também pedir para que a justiça seja feita, que seja esclarecido esse caso e, certamente será, para que possamos ter uma sociedade melhor que todos nós estamos desejando.

O Estado ainda é marcado pela violência doméstica. Qual recado o senhor deixaria?

Creio que a nossa juventude precisa ser melhor educada. Creio que o problema da violência doméstica, esse machismo, é uma questão de educação. Certamente, esses homens, meninos, estão sendo mal educados na família. É ali que eles aprendem de alguma forma errada como tratar a mulher. É preciso uma reeducação na família. Mais respeito pelo ser humano, pela mulher. É um absurdo!

O crime aconteceu à metros dessa capela. Te choca a brutalidade do assassinato?

São Paulo, na segunda carta aos Tessalonicenses, ele usa uma expressão interessante: “o mistério do mal”. Todo mal é um mistério. Esse mistério não vence. O que nos enche de força é saber que o bem vai vencer. Não nos abala este mal. Sem dúvida o bem está vencendo.

A sociedade não deve pensar em termos de vingança. Um seguidor de Jesus jamais vai pensar em vingança. Agora em justiça, sim. As coisas devem ser esclarecidas, sim. Para que possamos melhorar a sociedade e o ser humano. É o desejo da Igreja e das pessoas na sociedade.

Se o senhor pudesse dar um recado para o executor e para o mandante do crime. O que diria?

Para a Igreja, diante de qualquer pecado, a primeira coisa é reconhecer o erro e o pecado. Papa Francisco tem dito muito claramente que há uma distinção entre pecador e corrupto. Pecador somos todos nós, seja qual for o crime, pecamos, caímos, reconhecemos, queremos mudar.

Quem se arrepende é perdoado por Deus. Vai pagar o seu crime e a lei tem de ser cumprida, mas tem o perdão de Deus sempre. Não há crime ou erro que seja maior que o perdão de Deus.

Mas o corrupto não reconhece o erro. E acha que está até certo. Ele não muda, não há arrependimento, não há mudança e obviamente, não há perdão também.

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