Câncer de mama: apenas 25% das mulheres têm acesso a exame de mamografia pelo SUS no ES

Pacientes enfrentam dificuldades para realizar exames de mamografia pelo SUS em todo o Brasil. Um estudo recente, divulgado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, identificou que, em 2017, das 11,5 milhões de mamografias previstas para serem realizadas em mulheres de 50 a 69 anos no país, somente 2,7 milhões foram feitas. O número corresponde a uma cobertura de 24,1%, bem abaixo da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 70%.

No Espírito Santo, a situação não é diferente. Embora o estado ocupe a décima colocação no ranking nacional de cobertura de mamografia, em 2016, dos 271.190 exames necessários, apenas 83.458 foram feitos, ou seja, pouco menos de um terço.

Já em 2017, essa cobertura foi ainda menor. Dos 225.139 exames esperados, somente 57.477 foram realizados, o que representa um alcance de 25,5%.

E o problema não é falta de equipamento. Atualmente existem 44 aparelhos de detecção por imagem de nódulos nos seios no Espírito Santo, quatro a mais do que o necessário, o que seria o suficiente para cobrir a demanda. Mesmo assim, as capixabas ainda encontram dificuldades para serem submetidas ao procedimento.

“Além da maior parte dos mamógrafos estarem nos centros urbanos, há uma dificuldade de acesso à autorização do exame pelo SUS, não só pelas pacientes de 50 a 69 anos, que é a faixa etária que o SUS promove o rastreamento, mas principalmente das pacientes de 40 a 49 anos. Elas não estão sendo contempladas com mamografia de rastreamento pelo SUS e essa faixa etária corresponde a um quarto dos casos de câncer de mama do Brasil”, explicou a médica mastologista Claudia Mameri, representante da Sociedade Brasileira de Mastologia no Espírito Santo.

Atualmente, o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Espírito Santo. A doença resultou, do ano de 2015 ao último mês de agosto, em 1.449 mortes. Além disso, entre as dez principais doenças, o câncer de mama é a sexta que mais matou as mulheres capixabas nos últimos quatro anos, ficando atrás de infarto agudo do miocárdio, pneumonia, diabetes, alzheimer e doença cardíaca hipertensiva.

O acesso ao tratamento do câncer é garantido por lei. No entanto, a Lei 12.732, de 2012, que instituiu prazo máximo de 60 dias para o tratamento de pacientes com câncer, ainda não é cumprida em geral, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia.

“Quando elas têm uma lesão detectada na mamografia, elas têm muita dificuldade para realizar a biópsia. Tanto a realização da biópsia quanto o resultado do laboratório histopatológico são dois itens que demoram muito aqui no Brasil. Nós temos que melhorar o acesso dessas pacientes à mamografia de prevenção. Depois que a lesão é detectada, acelerar o acesso à biópsia e ao resultado do histopatológico”, ressaltou Claudia Mameri.

O Ministério da Saúde recomenda que todas as mulheres entre 50 e 69 anos de idade façam exames de mamografia pelo menos uma vez a cada dois anos, além de recomendar o exame anual para mulheres acima de 35 anos que pertençam a grupos de alto risco, indo ao encontro das recomendações internacionais.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que, segundo dados da Pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas, publicada pelo Ministério da Saúde, Vitória aparece em segundo lugar no ranking das capitais com as maiores frequências de mulheres que disseram ter realizado a mamografia nos últimos dois anos. Sobre os outros municípios, a Sesa não respondeu. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia aponta que o Espírito Santo aparece em décimo lugar no ranking nacional de cobertura de mamografia.

Também por nota, a Prefeitura de Vitória disse que oferece mil mamografias por mês. O Município de Cariacica informou que, neste ano, mais de 5 mil mamografias foram agendadas. A Prefeitura da Serra disse que faz mais de mil mamografias por mês e não há fila de espera. Já Vila Velha também disse que o tempo de espera entre a solicitação e a realização do exame é de sete dias e não há demanda acumulada.

Fonte: Folha Vitória

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