
Protagonista das falas mais calorosas e polêmicas da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), o deputado Capitão Assumção (PSL) subiu à tribuna da Casa para comentar sua condenação, proferida pela Gisele Souza de Oliveira, da 4ª Vara Criminal de Vitória, que o condenou à prisão por envolvimento na greve da Polícia Militar (PMES) em fevereiro de 2017. Segundo ele, a magistrada decretou um “sentença falaciosa”.
Em seu discurso, o militar da reserva diz que a sentença faz parte de uma mentira que ele tem como desmascarar por meio de “diário de bordo” da Polícia Militar assinado pelo ex-comandante-geral, Nylton Rodrigues. “A intenção de forçar uma situação para me condenar foi tão grande, que a Dra. Gisele – incapaz de alterar a lei para me julgar – quis alterar a natureza das coisas. Para me condenar ela chegou ao absurdo de dizer que a polícia militar não era militar, mas civil, porque cuida da sociedade com o policiamento ostensivo. (…) Este documento desmente a Dra. Gisele e toda a fundamentação de sua sentença. De acordo com ele, o movimento começou na manhã do dia 03 de fevereiro de 2017 (sexta-feira), na Unidade da PM do bairro Feu Rosa, na Serra. Aquele ato se espalhou espontaneamente e 24 horas depois já havia bloqueios em 78 outras unidades da PM. Eu mesmo, na sexta-feira à tarde, sequer sabia do que estava acontecendo. Minha condenação, portanto, está baseada nessa mentira que acabo de desmascarar”, disse em seu discurso.
Além do Capitão Assumção, que na época dos fatos não exercia mandato de deputado, a Justiça condenou um dos assessores parlamentares de Assumção, o ex-soldado Walter Matias Lopes, e outros quatro policiais militares: Aurélio Robson Fonseca da Silva, Marco Aurélio Gonçalves Batista, Nero Walker da Silva Soares e José Ricardo de Oliveira Silva.
O deputado ainda disse que a juíza não tem competência para julga-lo e anunciou uma possível nova ação dos militares capixabas. “Anotem o que vou dizer: vai escurecer um pouco mais antes de clarear, mas nada impedirá o Sol de brilhar sobre a verdade. Nesse dia, que não será hoje, nem amanhã, saberemos que um passo firme foi dado na direção de dias melhores e se Deus quiser, estarei lá, para olhar nos olhos da Fera abatida”, finalizou em tom de ameaça.
Corregedoria dá prazo para defesa
Em reunião na tarde desta segunda-feira (30), a comissão de inquérito formada pela Corregedoria-Geral aprovou prazo de 10 dias para que deputado Capitão Assumção (PSL) apresente sua defesa por escrito e explique sobre eventual ato atentatório contra o decoro parlamentar. A ação foi movida por discurso onde ofereceu R$ 10 mil para quem matasse assassino.
O prazo passa a contar a partir da notificação do parlamentar. O colegiado foi criado pela Corregedoria para analisar a conduta de Capitão Assumção diante de pedido feito pela Procuradoria da Assembleia Legislativa (Ales).
O deputado Euclério Sampaio (sem partido) é o presidente e relator da comissão, que também conta com Dr. Rafael Favatto (Patri) e Torino Marques (PSL). Assumção já foi notificado da decisão do colegiado.
Fonte: ES HOJE










