Cartão de indenização da Samarco é vendido clandestinamente na web

Rio Doce em Colatina durante a "passagem" da lama de rejeitos de minério da Samarco
Rio Doce em Colatina durante a “passagem” da lama de rejeitos de minério da Samarco

Cartões de indenização da Samarco fornecidos a moradores de Colatina, na região Noroeste do Espírito Santo, têm sido comercializados de forma clandestina em sites de compra e venda na internet. A reportagem do Gazeta Online flagrou diversos anúncios, e os preços variam de R$ 440 a R$ 2 mil.

Os cartões são fornecidos pela Fundação Renova, criada para reparação dos danos do desastre do rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais, que liberou milhões de litros de rejeitos de minério no Rio Doce, interrompendo o abastecimento de água na cidade capixaba.

O dinheiro da indenização é depositado em um cartão, assim que o morador com interesse no reparo financeiro procura a Fundação Renova para cadastramento e comprovação de que morava na cidade no período do desastre, ocorrido em 5 de novembro de 2015. O cartão, no entanto, é entregue vazio ao morador e a fundação tem um período de até 90 dias para fazer o depósito devido.

Em um dos grupos na internet, uma pessoa justifica que não poderia esperar até 90 dias para receber o valor e, desta forma, anunciou o cartão com previsão de depósito de R$ 880. Um internauta criticou dizendo que o benefício do anunciante deveria ser cortado.

Indenizados pela Samarco vendem cartões de forma clandestina na internet
Indenizados pela Samarco vendem cartões de forma clandestina na internet

Nossa reportagem simulou interesse pela compra dos cartões e conseguiu detalhes sobre algumas ofertas. Na primeira ligação, uma mulher disse que já havia vendido o cartão, mas, quando perguntada se sabia quem teria outro para vender, informou que viu um anúncio por R$ 650,00 e iria nos passar o contato.

“Já vendi faz bastante tempo. Conheço um rapaz sim, teria que pegar o contato dele aqui, ele está vendendo por R$ 650”, disse, em tom de normalidade.

Na segunda ligação, uma outra mulher disse que desistiu da venda porque o dinheiro da indenização entrou na conta bem antes dos 90 dias. “A gente já recebeu. Já caiu na conta e a gente não vai vender mais não”, disse.

‘LAMENTÁVEL’

A reportagem acionou a Fundação Renova, que lamentou as ocorrências de comercialização de cartões destinados exclusivamente à indenização dos impactados, e reforçou que os casos são minoria se considerados os números totais de indenização. Segundo a Renova, atualmente 77 mil colatinenses foram atendidos e 62 mil cartões já foram distribuídos.

Por meio de nota, a fundação reforçou que para garantir a transparência e integridade no processo, a entrega dos cartões em que as indenizações são creditadas é feita somente aqueles que efetivamente têm direito à compensação, após a adesão, comprovação e concordância com os termos do programa.

O cartão é entregue apenas presencialmente, mediante apresentação do documento de identificação. O impactado, ao receber o cartão, assina um termo de recebimento no qual expressamente reconhece e assume o compromisso de que o documento é pessoal e intransferível. Dessa forma, a indenização creditada no cartão é de titularidade do impactado, a quem o cartão foi entregue.

Fonte: Gazeta Online

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