Entrega por drive-thru em escola incomoda vizinho e PM é acionada

A direção do colégio particular COC, no Lago Norte, foi surpreendida na manhã deste domingo (28/2) por uma ação da Polícia Militar do Distrito Federal. A escola estava fazendo a entrega do material escolar — que fica guardado na unidade — por sistema drive-thru aos pais, quando uma viatura da PM parou e encaminhou a equipe responsável pela instituição de ensino para a 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).

De acordo com a coordenadora geral do colégio, Cintia Varella Negreiros, 48, os policiais foram acionados por um vizinho que reclamou que a escola não estava cumprindo o decreto de lockdown. “Estávamos trabalhando em prol das crianças, com todas as medidas sanitárias. Não tinha nenhum professor na instituição, apenas profissionais do administrativo que estavam fazendo a entrega dos kits para os alunos poderem dar continuidade aos estudos pelo ensino a distancia (EAD)”, explica Cintia que acompanhou a diretora Kátia Catta até a delegacia.

“Estou passada com toda a situação. Os policiais passaram muito tempo na escola, viram o nosso trabalho. Não estamos descumprindo nenhuma norma”, ressalta Cintia. Todo o serviço de entrega foi suspenso após a chegada da PM.

Kátia Catta explica que, em razão da pandemia, todo o material que os estudantes utilizam em aula fica no colégio para minimizar os riscos de contaminação no trajeto casa-escola. “Temos armários individuais e locais nas salas de aula para guardar esse material. Com o decreto, e a migração para o on-line, precisávamos entregar aos pais antes da aula na segunda-feira”, conta a diretora.

O sistema por drive-thru foi organizado para que os pais não precisassem descer do carro e, assim, evitar aglomeração. Um aplicativo da escola também controlava quantas pessoas iriam até o colégio por vez. “Ficamos ontem (sábado), das 7h às 22h, organizando os materiais em sacolas higienizadas para dar maior segurança para todos. Hoje, às 8h, iniciamos a entrega”, relata Kátia.

A diretora conta que foi aberto um boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), mas que não foi tipificada a área da ocorrência e nem sabe se o caso será arquivado. “O próprio delegado compreendeu que não houve crime”, ressalta Kátia Catta.

O Correio tenta contato com o delegado responsável, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

Um dos pais que estavam no local no momento da abordagem analisou toda a situação como um equívoco. “Ao que parece houve uma interpretação muito equivocada sobre o alcance do Decreto. Era domingo, não havia nenhuma atividade escolar. Era um delivery do material para as crianças que, a partir de segunda-feira, vão ter aula via EAD, justamente para cumprir o Decreto”, pontua Rafael Favetti, 46 anos.

“O fechamento desse delivery põe em risco todos os deliverys do DF agora, pois qualquer órgão fiscalizador pode dar sua própria interpretação do Decreto. Mas claro que foi um caso isolado”, complementa Rafael.

Fonte: Correio Braziliense

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