Estudo aponta contaminação de peixes no estuário do Rio Doce, em Regência

Em artigo publicado na plataforma bioRxiv, pesquisadores da Rede Solos Bentos Rio Doce, incluindo estudantes do Programa de Doutorado em Ciências Biológicas da Universi dade Federal do Espírito Santos (Ufes), mostram a contaminação de peixes por metais pesados no estuário do Rio Doce, próximo a Regência, em decorrência dos rejeitos da barragem da Samarco no município de Mariana, em Minas Gerais.
O estudo apresenta que, com a queda da barragem, em 2015, os rejeitos de metais que desceram o Rio Doce em direção à costa capixaba foram se acumulando nos sedimentos do estuário, em Regência, onde acontece o encontro da água doce com a salgada. Em agosto de 2017, quase dois anos após a tragédia ambiental, as concentrações dos metais cádmio, zinco, chumbo e cromo nos sedimentos tiveram um aumento de 35.900%, 2.319%, 2.031% e 1.217%, respectivamente, em comparação às concentrações de referência, ba- seadas nas amostras de 2015, antes da chegada dos rejeitos ao estuário.
“Esse artigo vem dar uma resposta à comunidade de Regência sobre a contaminação do pescado após a queda da barragem. Sim, o peixe ficou contaminado com metais e impróprio para o consumo humano”, afirmou o doutorando Fabrício Ângelo Gabriel, um dos autores do artigo.
Os pesquisadores também avaliaram a concentração de metais no fígado e nos músculos de diferentes espécies de peixes: bagres, tainha e carapeba. O resultado mostrou que os animais, fonte de alimento comum para a população local, estavam contaminados. Foi evidenciado, ainda, o efeito nocivo dos metais, pois os peixes produziram defesas fisiológicas, ou seja, proteínas fabricadas pelo organismo quando há excesso de metais essenciais às funções biológicas ou quando se trata de algum metal indesejado. “Dessa forma, foi possível associar os metais presentes no ambiente com os acumulados no corpo dos peixes”, afirmou Fabrício Gabriel.
Efeito tóxico
Segundo o pesquisador, as espécies de bagres estudadas foram as que apresentaram maior contaminação, com concentrações de zinco, cobre, mercúrio, arsênio, selênio, cromo e manganês acima dos limites seguros para o consumo humano. Ele lembra que, apesar dos metais zinco, cobre, cromo e manganês serem essenciais para funções biológicas dos seres vivos, podem se tornar prejudiciais, caso haja consumo excessivo. Por outro lado, a ingestão de mercúrio e arsênio, em qualquer quantidade, tem efeito tóxico.
O monitoramento do estuário continua sendo feito a cada seis meses. A última coleta aconteceu em janeiro deste ano, mas as análises ainda não foram concluídas. A próxima, prevista para agosto, foi suspensa em função da pandemia da COVID-19.
Segundo Fabrício Gabriel, os dados atuais do estuário só serão conhecidos no futuro, mas as previsões não são das melhores. “A saúde do estuário do Rio Doce provavelmente está comprometida pela recorrente contaminação, e os efeitos podem se prolongar ao longo dos anos, sugerindo condições não ideais para o desenvolvimento e a produção pesqueira”, afirmou.
Fonte: Correio do Estado.
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