Guarda acusado de entregar celular a presos da Lava-Jato é denunciado

Investigado atuava no setor de custódia da carceragem da PF em Curitiba em 2014

Sede da Polícia Federal no Espírito Santo
Sede da Polícia Federal no Espírito Santo Foto: Marcos Fernandez/Arquivo

Um guarda municipal é acusado de ter entregado um aparelho celular a presos da Operação Lava-Jato, como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa e o doleiro Alberto Youssef, dentro da carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba entre 24 de maio de 22 de junho de 2014.

O juiz Alessandro Rafael Bertollo de Alexandre, da 14ª Vara Federal do município, aceitou, na primeira quinzena do mês, a denúncia contra Júlio Cesar Benitez por crime contra a administração da Justiça. Cedido pela Guarda Municipal à PF no período, Benitez atuava no setor de custódia dos presos da Superitendência da PF, local onde costumam ficar os delatores da Lava-Jato.

O guarda é acusado de ter ingressado na carceragem com um aparelho celular e cedido o eletrônico a alguns presos para que pudessem efetuar ligações. Para testar o sinal, num primeiro momento, Benitez ligou para o telefone fixo de sua própria residência.

Além de Youssef e Costa, outros investigados que tiveram acesso ao aparelho seriam o operador de câmbio Luccas Pace Júnior, o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa e o doleiro Raul Henrique Srour. As chamadas eram realizadas pela manhã, durante a noite e aos finais de semana.

— Ele não levou o aparelho para dentro da carceragem, o celular já estava dentro do sistema e pertencia a outro preso. Ele acabou cedendo o aparelho para que as pessoas ligassem para advogados e parentes, era o acordo, sem nada que envolvesse processos por fora. Foram conversas banais entre os presos e as famílias — afirmou o advogado Omar Elias Geha, responsável pela defesa de Benitez, ao GLOBO.

A defesa argumenta que “não houve crime” pois, na condição de guarda municipal, Benitez nunca foi capacitado para ser agente penitenciário. O advogado também afirmou que o cliente teria ficado “confuso” com os privilégios concedidos aos delatores dentro da carceragem — ele apontou que alguns presos teriam utilizado telefones fixos dentro da Superitendência para efetuar outras ligações.

— Não houve dolo nenhum porque ele não sabia o que podia e o que não podia. Ele nem deveria estar lá, não era função dele — disse.

Em 2014, Benitez teve o nome envolvido em outro episódio dentro da carceragem da PF em Curitiba. Enquanto conduzia a doleira Nelma Kodama para a cela, sofreu de um princípio de infarto e precisou ser socorrido pela antiga parceira de Youssef. Ela fez massagem torácica, respiração boca a boca e buscou auxílio com um médico que também estava preso no local até que outros policiais levassem Benitez a um hospital.

 

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