Homem denuncia abuso sexual de médico detido após beijar jovem à força no ES

A polícia está recebendo novas denúncias contra o médico de 54 anos acusado de tentar beijar uma jovem à força, no último sábado (24). Ao menos cinco pessoas dizem ter sido vítimas do homem. Nessa quinta-feira (3), o médico foi indiciado e afastado do trabalho, em um hospital particular de Vila Velha.

No sábado (24), ele foi preso por tentar beijar à força uma paciente. Depois, outras denúncias surgiram. Em depoimento, o médico negou que tivesse cometido o crime. No domingo (25), ele passou por uma audiência de custódia e foi liberado.

Novas denúncias

Um homem de 44 anos relatou que foi vítima do mesmo médico em 2000. Por vergonha, o autônomo não quis ser identificado. Ele relata que foi consultado com o profissional em outubro daquele ano.

Logo em seguida, ele registrou um Boletim de Ocorrência e entrou com um processo contra o médico que foi julgado em uma audiência no Fórum de Vila Velha, mas o caso foi arquivado.

“Eu falei que estava sentindo uma dor no peito e no pé da barriga. Ele mandou eu abaixar a calça e começou a me apalpar. Eu questionei e ele disse que estava me examinando. Depois, ele me mandou deitar de lado, me abraçou por trás e começou a me apertar. Quando eu olhei, ele estava com a calça arriada. Eu empurrei ele, saí correndo pela escada, peguei minha moto e quando eu cheguei em casa chorando minha mãe perguntou o que tinha acontecido e eu contei”, relata.

Sem ter o caso resolvido, ele entrou em depressão, perdeu o emprego e terminou o casamento. “Quando eu vi a reportagem, eu voltei a entrar em desespero. Fui no Fórum e tirei um boletim do processo. Descobri que o processo tinha sido arquivado. A Justiça não me deu voz e se tivessem me ouvido essas pessoas não estariam passando por isso hoje”, lamenta.

Empresária denuncia assédio de médico, no ES  — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Investigação

O médico de 54 anos atendia como clínico geral e cardiologista, mas, segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM), ele não possui registro das especialidades para exercer essas funções.

O delegado do Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha, Alexandre Henrique da Rocha Campos, disse que escutou tanto a vítima quanto o acusado para decidir pelo indiciamento. No dia da denúncia, ele foi até o hospital e verificou o consultório que foi descrito pela vítima.

“Eu ouvi tanto a vítima quando o acusado. A vítima foi muito firme em tudo que disse, já ele titubeou. Depois a gente pegou o histórico e viu que ele respondeu pela mesma acusação em 2005”, explica o delegado.

Para Campos, o crime é mais difícil de investigar porque não deixam vestígios e nem provas aparentes. “Nesse caso, o depoimento da vítima é muito importante para chegar às contradições”, diz.

Além do depoimento, o delegado informou que o médico já tinha sido preso em flagrante em 2005 pelo crime de atentado violento ao pudor.

“Levamos sempre em consideração o que foi denunciado, mas o histórico é um norte para saber se já tinha cometido algum crime”. contou Alexandre. “Depois foram surgindo novas denúncias e vi que fui pelo caminho correto”.

O crime de importunação sexual, pelo que o médico responde, não cabe fiança. A pena varia de um a cinco anos de detenção. Ao menos cinco outras vítimas já denunciaram o médico depois da divulgação do caso.

“A orientação é que as vítimas denunciem. Por mais que tenha sido há vários anos atrás, pode procurar outra delegacia, isso vai impedir que aconteçam novos casos”, esclarece o delegado.

A reportagem tenta contato com o profissional, que não atendeu às ligações.

Primeira denúncia

No último sábado (25), o médico foi denunciado e preso depois de beijar à força uma paciente de 18 anos, dentro de um hospital particular do Ibes, em Vila Velha. De acordo com relato da mãe à Polícia Militar, o profissional beijou o rosto da garota durante uma consulta médica.

A menina ainda está assustada e de acordo com o pai dela, a família não quer mais falar sobre o assunto.

Prisão

O médico atua como cardiologista e também atende no pronto-socorro do hospital. Ele foi preso no final de semana por importunação sexual. No domingo (26), ele passou por uma audiência de custódia e foi liberado no mesmo dia.

Afastado

O Hospital São Luiz, onde o médico atuava como médico de Pronto-Socorro, disse que o profissional está afastado

A administração espera a investigação da polícia para tomar qualquer medida administrativa.

CRM-ES

A situação do médico vai ser investigada pelo CRM. Ele não tem especialização nas áreas de cardiologia e clínica médica que atuava.

Uma sindicância foi instaurada para apurar o caso. O Conselho já enviou um comunicado para o médico, para que ele se manifeste em no máximo 10 dias.

FONTE: G1 ES

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here