Índices de assassinatos devem cair até o fim de 2018, diz secretário

“O resultado, sem dúvida, foi afetado pela greve, e pagamos o preço, com indicadores acima do esperado”, assinalou André Garcia

Garcia: estratégia é manter trabalho de monitoramento
Garcia: estratégia é manter trabalho de monitoramento / Foto: Carlos Alberto Silva | GZ

O secretário de Estado da Segurança Pública, André Garcia, disse que o retorno do crescimento do número de homicídios é “um ponto fora da curva”, ao se referir aos número de mortes de fevereiro (228), período da greve dos policiais militares. “O resultado, sem dúvida, foi afetado pela greve, e pagamos o preço, com indicadores acima do esperado”, assinalou.

A expectativa de Garcia é de reverter esse quadro até o final do próximo ano, retomando a série histórica de reduções no ranking dos assassinatos que vinham sendo registrados nos últimos sete anos. “No segundo semestre, já tivemos uma tendência de normalização, e na Região Sul houve melhora com redução do número de homicídios”, destacou.

AÇÕES

A estratégia para reverter o quadro será manter, com ajustes, o trabalho que já vinha sendo feito desde 2010, com monitoramento diário dos indicadores e reuniões semanais com os comandos das polícias, e quinzenais, com uma equipe mais ampliada. “Analisamos os cenários e onde precisamos concentrar ou antecipar esforços; avaliamos os indicadores, o esclarecimento dos homicídios. Hoje temos uma taxa de resolutividade acima de 60% na Grande Vitória”, destaca.

Outra aposta, será dedicada a algumas ações que também vêm dando resultado, como a prisão de homicidas. “São ações frutos de investigações da Delegacia de Tóxicos e entorpecentes (Deten) e a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com alvos priorizados e que pesam no combate à impunidade”, disse.

Garcia relata que, dentre os municípios, a preocupação é maior com as cidades da Serra, Linhares, Cariacica e São Mateus. Locais que vão receber uma atenção maior, diz Garcia. Ele cita como exemplo operações como as que foram realizadas no condomínio Ourimar, na Serra, onde oito homicidas foram presos em um ano. “Também atuamos para neutralizar grupos que estejam atuando nestas áreas, como foi o caso da Região 5 (Grande Terra Vermelha e bairros adjacentes), de Vila Velha, onde todas as liderança criminosas foram presas”, relata.

Para impedir o surgimento de novos líderes, em muitos casos bem mais jovens e impetuosos, Garcia pondera que a aposta do governo é em programas sociais e educacionais, como o Ocupação social e o Escola Viva.

PUNIÇÃO

De acordo com o chefe da DHPP, José Lopes, a prioridade continuará sendo a resolutividade dos inquéritos de homicídios. “Resolver isso é fundamental. Se mata e não é punido, aumenta a impunidade”, disse, destacando que a divisão estava próxima de alcançar 70% de resolutividade. “Mas a greve mudou o cenário e caímos para uma média de 60%”, relatou Lopes.

Ele diz que 85% dos homicídios registrados na Região Metropolitana são com arma de fogo. Desses, 68% estão relacionados ao tráfico. “Já chegou a 85%, mas com a prisão dos homicidas a estatística foi diminuindo”, conta, acrescentando que 60% desse tipo de morte na Grande Vitória ocorre na Serra.

ANÁLISE

“É preciso comprometimento”

“Não podemos desconsiderar que o Espírito Santo vinha reduzindo, gradativamente, o número de homicídios. Uma redução acumulada de 43% na taxa de assassinatos. Mas fevereiro de 2017 trouxe uma situação atípica, que mudou o cenário da série histórica: a greve dos policiais militares. Em uma semana tivemos mais de 200 mortes que representam muito do ponto de vista social. Um aumento que vai repercutir nas estatísticas de 2017. Porém, considerando a redução acumulada, e o peso dela, acreditamos que em 2018 possamos ter uma retomada da redução que estávamos registrando e que destacou o Espírito Santo em nível nacional. Por três décadas sempre estivemos entre os mais violentos. Mas, para retomar esta tendência, é preciso o comprometimento dos comandantes e da tropa da PM. E mais, uma maior integração entre as polícias – que já vinha acontecendo –, investimento em tecnologia e inteligência policial e a participação da Polícia Civil na investigação dos crimes. Também é importante a manutenção do sistema prisional. Um dos fatores que contribuíram para redução dos homicídios foi a reestruturação do sistema prisional, algo que outros Estados estão buscando a duras penas. Temos que ser perseverantes. As autoridades com incumbência de controlar e prevenir a violência têm que continuar lutando” – Pablo Lyra Professor do mestrado de, segurança pública da UVV

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