Intimidação à profissional e total afronta à liberdade de imprensa: Corregedoria da PMES intima jornalista da Associação de Cabos e Soldados

Depois de toda diretoria da Associação de Cabos e Soldados (ACS-ES), a Corregedoria da Polícia Militar do Espírito Santo intimou a jornalista Mary Dias, assessora de imprensa da entidade, a prestar esclarecimentos no próximo dia 27, sobre reportagens produzidas para o portal da entidade. Por meio de nota oficial, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Espírito Santo (Sindijornalistas-ES) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) avaliam o ato como “intimidação à profissional e total afronta à liberdade de imprensa”.
Para as entidades, “a profissional apenas escreveu em suas reportagens o que apurou depois de ouvir diversas fontes, retratando a situação vivenciada pelas mesmas; conforme determina o Código de Ética dos Jornalistas e os preceitos da profissão”.
O Sindijornalistas-ES e a Fenaj entendem, ainda, que o Estado tem o dever de garantir a atuação da imprensa, respeitando e garantindo a pluralidade das informações. “A profissional destaca, inclusive, que a corporação é requerida em suas matérias, com o intuito de se buscar todos os lados envolvidos nos fatos, mas prefere, na maioria das vezes, não se pronunciar. Agora, no entanto, tenta criminalizar o trabalho da profissional, que tem relatado também a falta de segurança que os capixabas tem vivenciado” diz a nota das entidades que representam os jornalistas no Estado e no País.
As entidades, além de repudiarem a atitude do Comando da Polícia Militar, cobram do governo Hartung que seja garantido e respeitado o direito ao livre e democrático exercício da profissão de jornalista no Estado do Espírito Santo. E se solidarizam à jornalista, bem como aproveitam para reforçar sua admiração aos inúmeros policiais que, mesmo estando sem reajuste desde 2014, continuam arduamente atuando em defesa dos cidadãos capixabas.
Indiciamento
Toda a diretoria da ACS-ES foi indiciada, nessa segunda-feira (19), pelo fato de o Comando da Polícia Militar avaliar ofensivas e desrespeitosas reportagens veiculadas pela Associação, cujo conteúdo aborda os problemas vivenciados pelos policiais e a falta de diálogo e intimidações que os PMs continuam sofrendo após a greve de 21 dias realizada em 2017. Os policiais da ACS usam o seu site também para mostrar ocorrências na segurança pública, inclusive o domínio do tráfico em áreas da Grande Vitória.
No início da noite dessa segunda, o presidente da ACS-ES, sargento Renato Martins Conceição, explicou que foi ouvido em dois Inquéritos Policiais Militares. Um deles por matérias publicadas no site da associação. Outro, por manifestação na imprensa. Afirmou que não cometeu nenhum ato ilegal. Ao contrário. Lembrou que a gestão do site da ACS-ES é feito por profissional jornalista. A profissional contratada tem o compromisso de aplicar a ética jornalística e de cumprir as finalidades estatutárias da entidade. O que vem ocorrendo.
E no caso das informações à imprensa? Também neste caso as informações “jamais atentaram contra os princípios da disciplina e hierarquia militar e contra os valores da instituição Policia Militar”, afirma o sargento Renato.  Ele conclui estar tranquilo em relação ao seu trabalho na ACS-ES.

Já nessa terça-feira (20), prestou depoimento à Corregedoria o diretor da ACS, cabo Noé da Matta Ribeiro.

Fonte: Século Diário
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