Mesmo com dificuldades, famílias celebram o Natal com gratidão

Mesmo sem poder esbanjar neste fim de ano, elas não abrem mão de algo que não tem preço: passar o Natal juntos celebrando o amor

Foto: Marcelo Prest

A família dos comerciantes Marlos Rogério Schiavo, de 45 anos, e Fabiane Mageski Schiavo, de 39 anos, não esperava que, com a crise econômica, a situação financeira em casa ficasse tão apertada. Eles têm uma loja de artigos de festa em Terra Vermelha, Vila Velha, e viram o movimento despencar nos dois últimos anos.

Mesmo sem poder esbanjar neste fim de ano, eles não abrem mão de algo que não tem preço: passar o Natal reunido em família e celebrando o amor.

“Há dois anos a gente vivia, este ano a gente está sobrevivendo. Mas não pode deixar de cantar, juntar, continuar lutando, mesmo numa situação adversa. O verdadeiro sentido do Natal não são as coisas, é o amor, a família, é ficar junto. E a gente não abre mão disso”, conta Marlos.

Os comerciantes Marlos e Fabiane Schiavo, pais do Henryco, 1, e do Rodrigo, 17, estão passando por um momento difícil na loja da família, mas acreditam que têm muito a agradecer
Os comerciantes Marlos e Fabiane Schiavo, pais do Henryco, 1, e do Rodrigo, 17, estão passando por um momento difícil na loja da família, mas acreditam que têm muito a agradecer
Foto: Marcelo Prest

Marlos e Fabiane, que são pais do Henryco, de 1 ano, e do Rodrigo, de 17, acreditam que é possível ser feliz com pouca coisa. “Há uma falsa de impressão que, para estar bem, você tem que consumir. Mas quando você está bem, com pouca coisa, vai ser feliz. Por isso, temos que agradecer sempre”.

EM FAMÍLIA

Na casa de Antônio Orlando Boldrini, de 58 anos, a união da família vem em primeiro lugar. Ele vive com a esposa, Shirley Boldrini, 52, e as filhas Kézia, de 31, Kamilla, de 23, Karolina, de 20, e Katielly, de 17, e o netinho Matheus, de 3, em Itararé, Vitória. Duas das filhas não conseguiram emprego este ano, e o reforço na renda não veio. Mesmo assim, ele vai abrir a casa para cerca de 80 familiares de vários partes do Estado.

“Celebramos o Natal e celebramos muito a família. A gente sempre faz uma grande reunião, a minha família e a da minha esposa são grandes. Cada ano, a gente se reúne na casa de alguém. Este ano será na nossa casa. Todo mundo se ajuda, ajuda a preparar a comida, e na despesa cada um contribui com um percentual. Somos uma família que se ajuda bastante, e isso é muito importante. A união que a gente tem é grande”, conta ele.

Para ele, o espírito do Natal é não deixar a família se separar. “Família para mim é tudo. Desde o relacionamento com irmãos, como também com minhas filhas e esposa, que são maravilhosas. Todo mundo é unido. Quando um começa a desgarrar, a gente puxa de volta. Quando precisa todo mundo se ajuda”, conta ele.

QUINTAL ABERTO

O presépio no quintal de casa mostra a alegria da dona de casa Jucilene Ferreira da Costa, 47 anos, em celebrar o Natal. O filho, o universitário Jecian Ferreira da Costa, 25, conta que a família toda vai se encontrar para o almoço de amanhã.

“O quintal é grande e cabe todo mundo. A gente faz peru, chester, desossa um frango…Fazemos da melhor maneira possível. Não somos ricos, mas somos felizes mesmo. A gente faz questão de estar junto todo ano. De vez em quando tem até um pagode. É aquela alegria toda”, explica.

A dona de casa Jucilene Ferreira da Costa, 47, montou um presépio no seu quintal, onde vai receber a família toda,  com o filho Jecian e o marido José Antônio
A dona de casa Jucilene Ferreira da Costa, 47, montou um presépio no seu quintal, onde vai receber a família toda, com o filho Jecian e o marido José Antônio
Foto: Marcelo Prest

Jecian conta que perdeu o emprego e seu pai também. Mas não tem problema, a alegria de fim de ano continua presente na casa dos Costa. “A união é o mais importante. O Natal é um momento de celebrar a família”, declara.

Na família do cozinheiro e cantor gospel Erivelton Nascimento, de 30 anos, são nove irmãos. Alguns estão sem emprego, mas a reunião de Natal é sagrada. E cada um tem uma responsabilidade. “A gente aqui é bem família e sempre se reúne. A gente faz uma lista de comidas e bebidas e cada um fica responsável por levar uma coisa. Cada um ajuda, e aí não pesa para ninguém”, conta ele.

Apesar de 2017 ter sido um ano muito difícil, diz Erivelton, a família encontra na fé uma esperança. “A gente agradece sempre a Deus, mesmo nas dificuldades. É muito importante se reunir. A comunhão com os irmãos é o que mais vale. Para mim, família, fé, amor e comunhão são coisas que têm que andar juntas”, destaca.

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