Moradores vivem com tiros, mortes e toque de recolher em bairros perigosos da Grande Vitória

Vítimas da violência relatam que vivem 24 horas com medo, nas regiões dominadas por criminosos

Policiais da Força Tática ocupam o bairro Central Carapina após bandidos decretarem toque de recolher por três dias. Foto: Dayana Souza/AT

Policiais da Força Tática ocupam o bairro Central Carapina após bandidos decretarem toque de recolher por três dias. Foto: Dayana Souza/AT

A violência em bairros da Grande Vitória tornaram os moradores desses locais vizinhos do crime. São assassinatos, tráfico, tiroteios e toques de recolher. O ritmo de vida é regido 24 horas por medo e terror, como apurou a reportagem de A Tribuna.

A conversa foi com moradores de bairros presentes no Mapa da Violência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), locais com maiores índices de criminalidade.

O Estado viveu episódios recentes de toques de recolher, com ônibus apedrejados, após confrontos com a polícia em Central Carapina, na Serra, e depois de duas mortes em Ulisses Guimarães e Barramares, em Vila Velha. Os casos aconteceram em fevereiro deste ano.

A morte de um adolescente de 17 anos em Barramares, no último dia 26, fez com que seu pai, um pedreiro de 45 anos, novamente visitasse a dor de perder um filho.

“Eu saí de casa e quando voltei, ele estava morto no quintal. Ele já foi do tráfico, mas já tinha parado. Um outro casal de filhos foi morto aqui mesmo por causa do tráfico. Agora, eu perdi cinco filhos.”

O adolescente já tinha pensado em sair do bairro. “Já tinha pensado há muito tempo. Mas não tem outro lugar para irmos”, disse o pai.

Morador há 14 anos de Padre Gabriel, em Cariacica, outro pedreiro, 31 anos, afirma que convive com o desrespeito de traficantes. “Quando voltava do trabalho, tinha traficante fumando maconha no meu quintal, que é aberto. Vizinhos também passaram por isso. Traficantes usando a área para vigiar a polícia ou esconder drogas”.

O olhar distante de uma faxineira, de 56 anos, relembra a perda de um vizinho, executado perto da igreja que frequenta, e das vezes que teve de se abaixar, dentro do templo, durante os tiroteios. Ela é de Bairro da Penha, em Vitória.

“Depois que a gente saiu da igreja, minha vizinha descobriu que o marido dela tinha sido executado. Às vezes, na ida para a igreja, tem gente com arma pesada na rua. Várias vezes tive de deitar no chão, dentro da igreja, depois de começarem tiros”.

Uma auxiliar de cozinha, moradora de Ataíde, em Vila Velha, contou que teve vários celulares e dinheiro roubados no ponto de ônibus, a caminho do trabalho. “Fui roubada cinco vezes em menos de um ano. Não são ladrões do bairro”.

A reportagem especial completa sobre o tema, você acompanha no Jornal A Tribuna desta segunda-feira (12).

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