Professores terão um ano a menos para alfabetizar alunos

Base Curricular aprovada nesta sexta-feira (15) reduziu tempo de 3 para 2 anos

Para o ensino médio, será elaborada uma base exclusiva no próximo ano, embora as competências gerais devam ser aproveitadas, segundo o presidente do CNE, Eduardo Deschamps
Para o ensino médio, será elaborada uma base exclusiva no próximo ano, embora as competências gerais devam ser aproveitadas, segundo o presidente do CNE, Eduardo Deschamps / Foto: Divulgação / Pixabay

Depois de quase três anos de discussão, e ainda sem consenso, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou a Base Nacional Comum Curricular que vai orientar os sistemas de ensino – público e particular – sobre o que deve ser oferecido aos alunos em sala de aula de todo o país. A redução do período de alfabetização de três para dois anos é uma das mudanças previstas. A questão de gênero e sexualidade ficou de fora do documento e o ensino religioso torna-se facultativo.

As diretrizes são voltadas para a educação infantil e para o ensino fundamental e vão basear a revisão dos currículos nas diversas áreas do conhecimento, como Português e Matemática. As mudanças nas escolas devem ser implementadas até 2020. Para o ensino médio, será elaborada uma base exclusiva no próximo ano, embora as competências gerais devam ser aproveitadas, segundo o presidente do CNE, Eduardo Deschamps.

Para o presidente, apesar de algumas críticas em relação à BNCC, o documento é importante para a educação porque estabelece os níveis de aprendizado que todos os estudantes do país devem ter, e serve de organização dos currículos em cada escola. “E o que é direito à educação fica mais claro”, afirma Deschamps, um dos 20 votos favoráveis à aprovação. Três conselheiros votaram contra porque gostariam de mais tempo para o debate.

Um dos pontos polêmicos referia-se à identidade de gênero e sexualidade, tema retirado da versão final do documento. O presidente do CNE disse, porém, que o assunto voltará a ser debatido em 2018 para a elaboração de diretrizes específicas que também vão servir no processo de revisão dos currículos.

RELIGIÃO

Deschamps acrescentou que o ensino religioso também vai exigir um pouco mais de discussão, embora já tenha ficado estabelecido que a matrícula será facultativa e o modelo será o não confessional.

Defensor da BNCC, o secretário estadual da Educação, Haroldo Corrêa Rocha, destacou três aspectos do documento: o fato de a educação infantil ter, pela primeira vez, uma referência para o desenvolvimento cognitivo das crianças; a alfabetização em dois anos; e o desenvolvimento socioemocional dos alunos.

“Estou muito feliz com o resultado. Em 2015, quando começou o debate, achei que seria muito difícil aprovar uma base nacional. Agora que foi aprovada, temos que trabalhar na revisão dos currículos e também temos que repensar a formação dos professores, todo o material didático e as avaliações”, observou.

Presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime) no Espírito Santo, Vilmar Lugão Britto disse que vai ajudar na articulação dos municípios para o debate junto com o Estado. A homologação da BNCC está prevista para a próxima quarta-feira, dia 20.

Com duas filhas de 2 e 5  anos, a bancária  Daniela Cristina Queiroz Cavalieri acha a proposta de currículo na educação infantil interessante
Com duas filhas de 2 e 5 anos, a bancária Daniela Cristina Queiroz Cavalieri acha a proposta de currículo na educação infantil interessante

COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE

Colaboração

Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

Curiosidade

Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

Cultura

Desenvolver o senso estético para reconhecer e as diversas manifestações artísticas e culturais e também para participar de práticas diversificadas da produção artístico cultural.

Linguagens

Utilizar diferentes linguagens – verbal, corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos.

Tecnologia

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

Diversidade

Valorizar a diversidade de saberes e apropriar-se de conhecimentos que lhe possibilitem entender as relações do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

Consciência

Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável.

Cuidados

Cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

Respeito

Exercer a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza.

Responsabilidade

Agir pessoal e coletivamente com autonomia e responsabilidade, tomando decisões, com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

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