Roubo de carro no Engenho de Dentro assusta desempregados que dormiram na fila em busca de vagas

Com experiência como agente comunitária de saúde e cursando faculdade de Administração, Daniele Alves, de 29 anos, está desempregada há sete meses. Para tentar ter a carteira assinada novamente, ela chegou no Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Arranco, no Engenheiro de Dentro, às 23h de quarta-feira, 11 horas antes do início previsto para um evento de empregos organizado pela comunidade católica Gerando Vidas. A decisão deixou familiares preocupados e sua mãe procurou saber notícias, justamente quando Daniele corria para se proteger. Por volta das 5h30, um roubo de carro na Rua Adolfo Bergamini assustou quem aguardava o início da feira. Nenhum dos desempregados, porém, foi roubado.

— Acho que foi sexto sentido maternal. Ela me ligou bem na hora do susto — disse Daniele, que também tem contado com a ajuda da mãe, de 49 anos, para lidar com as contas: — Ela está desempregada há quatro anos. Era auxiliar de serviços gerais. Agora, só recebe Bolsa Família e cata latinha na rua para reciclagem. Mas tem ajudado a gente, pois meu marido, que era repositor em um hortifruti, também está desempregado há dois anos. Só consegue bicos, de auxiliar de soldador.

Daniele Alves se assustou com roubo de carro
Daniele Alves se assustou com roubo de carro

Moradora de Nova Iguaçu, Daniele, que busca na feira uma oportunidade como vendedora de loja, tem ainda dois filhos: uma menina, de 8 anos, e um menino, de 7, para sustentar.

— Não tem sido fácil. Contas de aluguel e luz estão atrasadas, por exemplo — revelou.

O evento, que começou às 10h desta quinta-feira, reúne 450 oportunidades de emprego, para pessoas com níveis fundamental, médio ou superior. Mais de dez pessoas fizeram como Daniele e chegaram ao local ainda no dia anterior para garantir uma oportunidade.

— Saí de casa, em Tomás Coelho, às 17h40, peguei um ônibus, e ainda andei por uma hora até aqui — contou Robson de Souza, de 38 anos, desempregado há um e meio.

A intenção dele é conquistar uma vaga como auxiliar de cozinha, mesma função que desempenhava antes da empresa contratante fechar. Na época, recebeu uma indenização que tem garantido seu sustento. Mas o teto de gastos estabelecido por mês é de R$ 300, possíveis apenas pois ele não paga aluguel.

Fonte: Extra

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