Secretário de Hartung promete mais investimentos em 2018

“A perspectiva é de acelerar bastante os investimentos. E com certeza investiremos mais com recursos próprios do que fizemos em 2017”, garante Bruno Funchal

Praça Oito - 05/12/2017
Praça Oito – 05/12/2017 / Foto: Amarildo

A coluna hoje abre espaço para a resposta do secretário estadual da Fazenda, Bruno Funchal, à análise publicada aqui no último domingo. O que sustentamos na ocasião, com base em números oficiais do governo, pode ser resumido em quatro pontos: 1) Ao longo dos seus três primeiros anos (de 2015 a 2017), mesmo que por circunstâncias que fogem ao seu pleno controle, o atual governo investiu muito pouco; 2) A participação dos investimentos feitos com recursos próprios na soma total do que o Estado investiu no período também tem caído muito desde 2014; 3) Para fazer algum investimento mais expressivo, o Estado hoje está ainda mais dependente de empréstimos; 4) Isso contraria um dos cernes do discurso de campanha de Hartung em 2014: a necessidade de ampliação da capacidade de investimentos com recursos próprios.

Para Funchal, porém, não há contradição. Segundo o secretário, antes de poder retomar os investimentos com recursos próprios, e precisamente a fim de poder fazê-lo, o atual governo precisava resolver um problema que tinha a precedência: controlar o aumento dos gastos com custeio e pessoal, herdado, afirma ele, do governo passado. É o velho “primeiro organizar a casa, para depois voltar a investir”. Resolvido o problema da expansão das despesas e recuperada a expectativa de melhora da economia nacional, o Estado teria enfim voltado ao marco zero para poder retomar os investimentos. Segundo o secretário, é exatamente neste ponto que o governo se encontra hoje. Ele explica:

“Primeiramente, não tem contradição. Na verdade, é até muito coerente. A gente vem de um período em que, até 2014, a gente tinha um crescimento significativo de despesa no Brasil todo, tanto em pessoal como em custeio. E aqui no Estado era isso, era nessa mesma pegada. Entre 2012 e 2014 (governo Casagrande), a média de aumento de despesa de pessoal e custeio no Estado foi de cerca de 15% ao ano. Isso é uma taxa de crescimento de despesa muito grande. Quando você acelera demais esse tipo de gasto, o espaço que o Estado tem para investir com recurso próprio diminui.”

Segundo Funchal, era isso que estava acontecendo na época. “Então, a crítica em 2014 era essa. Não podíamos investir com recursos próprios porque tínhamos um aumento muito grande da máquina pública. O Estado estava inchado. E aí todo o esforço que foi feito de 2015 até hoje é isto: é reduzir o tamanho do Estado, reduzir despesa.” Um esforço, afirma o secretário, que já deu resultado. “Conseguimos conter o crescimento de gasto com pessoal e conseguimos reduzir muito o gasto com custeio. Em 2015 e 2016, tivemos em média uma redução de 10% das despesas totais. Então, isso é um primeiro passo para a gente poder voltar a investir com recursos próprios.”

Olha, esse “primeiro passo” foi longo, muito longo, mas o fato é que, segundo o secretário, foi dado. “O aumento das despesas foi resolvido”. Se foi resolvido, onde estão os investimentos? Quando o governo voltará a investir com recursos próprios? Isso já está ocorrendo, responde o secretário. O ponto da virada, afirma, acaba de se dar. “A nossa visão é de que isso aconteceu agora, a partir do segundo semestre. A gente de fato está acelerando investimentos. Desde meados do segundo semestre, já houve uma guinada.”

E para 2018, então, secretário, qual é a expectativa? “Ah, acelerar os investimentos, sim. A perspectiva é de acelerar bastante os investimentos. E com certeza investiremos mais com recursos próprios do que fizemos em 2017”, garante ele.

Os capixabas não esperam menos.

Os números da queda

Nos três primeiros anos do atual governo Paulo Hartung (de 2015 a 2017), o Estado investiu R$ 1,642 bilhão. Destes, perto de R$ 500 milhões (30,7%) foram feitos com recursos do caixa estadual (sem considerar empréstimos, por exemplo). Só em 2014, o Estado investiu

R$ 1,841 bilhão, sendo R$ 791 milhões (42,9%) com recursos do caixa.

Funchal: sem escolha

O secretário da Fazenda, Bruno Funchal, não contesta esses números. Mas pondera que o governo não teve escolha senão diminuir o ritmo de investimentos, devido à necessidade de cortar gastos somada à queda brutal na arrecadação estadual nos exercícios de 2015 e 2016. “Basicamente é: você vai colocar o seu dinheiro para fazer investimento com recursos próprios e deixar de pagar fornecedor e folha de pagamento? Não. Não havia sobra. Não havia escolha. Nem se quisesse, o Estado poderia ter investido mais do que isso. Só com recursos de terceiros (operações de crédito)”, sustenta Funchal.

Mudança de trajetória

“Então assim: não era alternativa. Não investir com recursos próprios ou investir pouco é consequência da trajetória de aumento de despesas do Estado, que vem de antes do atual governo. Qual foi a nossa escolha? Mudar essa trajetória, deixar a despesa menor do que a receita para, aí sim, com este espaço, poder investir com recursos próprios. Que é o que a gente vai fazer este ano, eu imagino.”

Nem em hipótese

Os líderes petistas no ES estão em modo de negação. Não querem ouvir falar, nem em hipótese, de Lula ser condenado em 2ª instância, podendo ficar inelegível. “O PT não trabalha com essa possibilidade. O PT vai registrar a candidatura de Lula e nós vamos disputar na sociedade as eleições”, opina José Roberto Dudé.

Traiu o partido

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, “trocou de partido” na noite de segunda-feira. Saiu do hotel em que estava hospedado, com Lula, para traçar uma moqueca no restaurante Partido Alto.

Cena Política

O governador Paulo Hartung e o prefeito Luciano Rezende sentaram-se lado a lado durante a solenidade de posse do presidente do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Aboudib, na manhã de ontem. Ficou, é lógico, aquela chuva de climão. Para piorar, quando Hartung iniciou o seu discurso e foi saudar Aboudib, cometeu um ato falho daqueles: “Quero parabenizar especialmente o prefeito… ops, desculpe, o presidente do tribunal”.

Fonte: Gazeta Online

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