Nésio Fernandes também criticou o modelo de distribuição de doses no país. “O SUS é a garantia do direito universal”

O secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, defendeu a imunização de crianças e disse que a ciência não deve ser relacionada com religião. Ele expressou sua opinião durante a audiência pública sobre a vacinação contra a covid-19 em crianças entre 5 e 11 anos nesta terça-feira (04).
“A vacinação tem importância para as crianças porque elas não merecem o vírus. Elas merecem uma proteção segura, cientificamente respaldada e aprovada pelas agências reguladoras. Elas merecem vacinas. Eu faço um apelo para que não misturem Deus nas tragédias humanas e nos debates sobre métodos científicos”, disse.
Nésio Fernandes é vice-presidente na Região Sudeste do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Segundo ele, no atual cenário, é imprescindível combater a ideia de que as vacinas não são importantes. “No contexto de uma pandemia de uma doença imunoprevinível que já temos vacinas disponíveis, toda a posição que estimule a hesitação vacinal deve ser explicitamente combatida, pois reduz a capacidade do Sistema de Saúde em promover saúde e prevenir doenças”, destacou.
Crítica à distribuição irregular de doses
Ao comentar o surgimento das variantes do vírus, o secretário de Saúde lembrou a desigualdade na distribuição das doses das vacinas e a falsa ideia de que seria possível contornar a pandemia com a “imunidade de rebanho”. “Neste momento, 20 estados do Brasil, que reúnem mais de 80% da população brasileira, já publicaram normas sobre o tema. Nesses estados, não serão exigidas prescrições médicas para proteger as crianças da covid-19 e das posições antivacinas”, comentou.
Ainda de acordo com Nésio, a expectativa é de que nos próximos dias todos os estados brasileiros já tenham normas publicadas com a autorização para a vacinação das crianças sem prescrição médica.
Durante a audiência, o secretário de Saúde do Estado e vice-presidente Região Sudeste do Conass também defendeu o Sistema Único de Saúde (SUS) e o trabalho dos técnicos da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável pela análise e aprovação dos imunizantes aplicados no Brasil.
“O SUS é a garantia do direito universal. Ele tem a competência de aprovar, incorporar, comprar, distribuir e aplicar vacinas que protejam a população de doenças infectocontagiosas, mas também temos a competência de proteger a população de teses que fragilizam a confiança da população nas medidas de saúde coletiva”, destacou.
Nésio destacou, ainda, que o debate sobre a vacinação deve sempre ser respaldado na ciência e no que diz as instituições competentes para fazer qualquer tipo de avaliação sobre a eficácia e a segurança das vacinas.
Fonte: Em Dia ES











