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Sucessão familiar ainda é desafio a ser enfrentado na agricultura do ES

Imprensa Redação por Imprensa Redação
20 de novembro de 2017
em Economia

Muitos jovens querem ir para centros urbanos ou encontram resistência para cuidar dos negócios

 Da esquerda para a direita: Stenio, Thiago , Adauto (pai) e Jonas Orletti trabalham com a produção e a torra de café
Da esquerda para a direita: Stenio, Thiago , Adauto (pai) e Jonas Orletti trabalham com a produção e a torra de café / Foto: Acervo pessoal

Sair do campo para estudar e trabalhar na cidade. O sonho de diversos jovens que vivem hoje com a família nas áreas rurais do Estado, muitas vezes, pode ser descrito dessa forma. Mas essa vontade de ir para a área urbana pode gerar um problema: a dificuldade no processo de sucessão familiar.

Para que a mão de obra mais nova fique no campo e o gerenciamento das propriedades agrícolas seja realizado também pelas gerações mais jovens, é preciso, segundo especialistas, incentivar e valorizar essa juventude com ações de motivação e atitudes ligadas a áreas como educação, desenvolvimento e empreendedorismo.

A convite da Nestlé e da Ashoka Brasil, a reportagem de A GAZETA foi a Araras, município de São Paulo, para um debate sobre o tema.

Lilian do Prado, cofundadora da Acreditar – entidade sem fins lucrativos que estimula a cultura empreendedora dos jovens –, diz que é comum ver entre as famílias que vivem da agricultura situações em que os filhos saem em busca de oportunidades e realizações.

Para ela, é preciso ressignificar o sentindo do trabalho agrícola. “Às vezes, a felicidade do jovem está na propriedade rural, mas o mundo diz que ele tem que sair daquele local para ter mais acesso à comunicação e ao estudo, por exemplo. Além disso, também existe uma dificuldade muito grande de mudar os costumes das gerações anteriores”, avalia.

BARREIRAS

Apesar de algumas pessoas terem iniciativas para seguir o caminho dos pais ou avós, elas encontram bloqueios na hora de realizar o processo de inovação e conquistar seu espaço. De acordo com Lilian, essa “resistência a algumas propostas dos jovens ainda é uma barreira que precisa ser pensada”.

Stenio Lister Orletti é da terceira geração de uma família produtora de café. Na década de 1970, o avó começou a produzir o arábica, em Castelo, região Sul, e há quase 30 anos mudou para o cultivo do conilon, passando a produção para Pinheiros, região Norte.

Stenio conta que, ao entrar nos negócios da família, enfrentou dificuldades para apresentar novas técnicas, até que conquistou o seu espaço. “Aos poucos fomos implementando as mudanças e mostrando os resultados. Os pais ainda não estão tão preparados para absorver as inovações que os filhos estão trazendo para o campo. Temos que preparar também os pais para receber essas modificações.”

Já de acordo com o professor do Centro Estadual Integrado de Educação Rural de Águia Branca, no Noroeste capixaba, Valdeci Loterio, o fato de muitas famílias pensarem em trocar o produto de cultivo devido às dificuldades enfrentadas, como a falta de água ou problemas com o clima, acaba desestimulando os jovens.

“A maioria dos filhos desses camponeses, ao se deparar com o desafio, vai se sentir devastado, como se fosse em vão todo aquele ano. Os pais falam para os filhos: ‘vão para a cidade, tenham um salário fixo e não sigam o ramo do pai’. É preciso trabalhar a cabeça das famílias para que vejam e saibam que já têm soluções e parcerias para ter um produto melhor.”

COMUNICAÇÃO

Um ponto-chave para as novas gerações é a necessidade da utilização de ferramentas de comunicação no cotidiano. Mas a realidade presenciada pelo professor Valdeci Loterio é um pouco diferente. “Em Águia Branca, temos jovens que ainda não têm acesso às mídias, por isso, precisam ir na cidade buscar informações, como o preço do café, por exemplo”, relata.

De acordo com o professor, algumas pessoas ainda dependem exclusivamente do rádio para se informar. “É preciso dar condições de acesso aos meios de comunicação para que esses jovens busquem informações e conhecimentos. Com isso, eles poderão trazer inovações a suas famílias e, só assim, vão ficar motivados a permanecer ali”, acredita.

O produtor Stenio Lister Orletti também destaca que se a informação chegar, com certeza, os agricultores irão criar novos métodos e aproveitá-los para “melhorar a qualidade dos grãos de café, o desempenho e a produção do café e minimizar o impacto do clima”.

Fonte: Gazeta Online

Tags: agriculturaAgronegóciosecessão

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