Suposto hacker detalha à PF como chegou ao telefone de autoridades

Preso suspeito de hackear o telefone de diversas autoridades, Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho”, afirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF), que chegou aos membros da força-tarefa da Operação Lava Jato através da lista de contatos de um promotor de Araraquara.

A íntegra do depoimento foi divulgado pelo canal Globo News. Segundo Vermelho, o primeiro alvo de seu ataque foi o promotor de Justiça Marcel Zanin Bombardi, responsável pelo oferecimento de uma denúncia contra Delgatti Neto pelo crime de tráfico de drogas, relacionado a medicamentos. À PF, o suposto hacker afirmou que resolveu atacar o aparelho de Bombardi por atos que ele considerava “ilícitos” cometidos pelo promotor.

As conversas de Bombardi no aplicativo de mensagens Telegram foram armazenadas por Vermelho em seu notebook. Ele disse que não publicou o conteúdo das mensagens por “temer ser vinculado ao ataque”, tendo em vista que morava em uma “cidade pequena” e ser conhecido por ter “conhecimento avançado em informática”.

A partir da lista de contatos de Marcel Zanin Bombardi, Delgatti iniciou uma série de invasões. Primeiro, teve acesso ao “Valoriza MPF”, grupo criado pelo procurador regional da República José Robalinho Cavalcanti. Um dos participantes do grupo, que não teve sua identidade revelada por Vermelho, tinha, em sua agenda, o telefone do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP). Através do celular do democrata, o hacker chegou ao número do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A invasão ao aparelho de Moraes forneceu a Delgatti Neto o telefone do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Por meio da agenda de Janot, obteve o número de membros da força-tarefa da Lava Jato, como os procuradores Deltan Dallagnol, Orlando Martello Júnior e Januário Paludo.

Segundo Delgatti Neto, o acesso aos telefones das autoridades citadas acima ocorreu entre março e maio de 2019, e que somente armazenou o conteúdo das conversas dos membros do Ministério Público do Paraná, porque, em sua avaliação, constatou “atos ilícitos” dos procuradores. Vermelho também disse à PF que acredita não ser possível editar as mensagens do Telegram, em razão do “formato” do aplicativo.

Delgatti Neto foi preso na terça-feira 23, como desdobramento da Operação Spoofing. A PF estima que pelo menos 1000 pessoas, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, a deputada Joice Hasselmann, líder do governo no Congresso, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Fonte:Veja.

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