TRF-4 vai trabalhar no recesso porque está perseguindo Lula diz petistas

Adversários do PT acham que, se confirmada sentença, candidatura está morta

Lideranças do PT acusam o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de perpetrar um golpe contra a candidatura do ex-presidente Lula ao marcar para 24 de janeiro, em pleno recesso do Legislativo e Judiciário, o julgamento da apelação contra a condenação no caso do tríplex do Guarujá. Já lideranças dos partidos adversários interpretam que o quadro político sucessório sofrerá uma reviravolta já que, com a antecipação, os prazos de recursos a uma eventual confirmação da condenação já terão se esgotado em julho, quando haverá o registro das candidaturas.

Os petistas acusam o TRF-4 de “perseguição”, acham que haverá pressão popular e “só morto” Lula não será candidato. Eles não aceitam que o julgamento aconteça durante o recesso, sem Legislativo, Judiciário e com o povo “desprevenido” na praia.

— Antecipar esse julgamento é uma perseguição ao Lula. Os caras suspenderem o recesso para julgar o processo dele, é má intenção mesmo — reagiu o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zaratini (SP).

— Nada interromperá a candidatura de Lula. Uma condenação vai aumentar a pressão popular e sua popularidade nas pesquisas. Estão vendo que não ganham do Lula nas urnas e tentam barrá-lo por outros meios. Julgar no recesso? Lula hoje já é vitimizado. Vai ser mais vítima do que nunca — completou o deputado José Guimarães (PT-CE).

O pré-candidato Jair Bolsonaro (PSC-RJ) diz que uma eventual condenação de Lula em janeiro não muda nada para sua candidatura, mas acha que o petista vai usar a decisão do TRF-4 para se vitimizar.

— Essa sempre foi a arma do Lula, se vitimizar. Mas não acredito que haverá aumento da reação popular contra sua condenação. Lula já está na lona. Nas caminhadas pelo Brasil é um vexame onde quer que vá. Vou pousar em Manaus quinta-feira. Veja como sou recebido no aeroporto — comenta Bolsonaro, principal adversário de Lula nas pesquisas de intenção de votos.

Na avaliação interna, dirigentes tucanos dizem que se o TRF-4 confirmar a condenação de Lula, em janeiro, ele “está morto”. Acreditam que a antecipação foi uma estratégia da Justiça de reagir as ameaças do ex-presidente do PT porque o Judiciário percebeu que Lula resolveu enfrentar a Justiça de forma cada dia mais agressiva.

— Confirma-se o previsto na Lei da Ficha Limpa. Quem tem condenação em segundo grau não pode disputar eleição. Pelas decisões mais recentes do STF réu não pode estar na linha sucessória, imagina condenado — avalia o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

— A situação de Lula, a partir dessa decisão, será irreversível. Terá chance zero de ser candidato. Todos os prazos de protelação estarão esgotados até julho, quando haverá o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral — avalia, de forma reservada, um dos dirigentes do PSDB.

O secretário geral do PSDB, deputado Marcos Pestana (MG), diz que, se a candidatura for barrada, Lula vai usar a vitimização para embalar outro candidato petista.

— Lula vai tentar todos os recursos e inflar o discurso da perseguição. Ao invés de fazer uma autocrítica, se a Justiça negar seu registro, ele vai pegar o Jaques Wagner ou o Haddad pelo braço e rodar o Brasil com o mote do perseguido — diz Pestana.

O deputado Onyz Lorenzoni (DEM-RS) avalia que Lula, como centenas de prefeitos em 2016, irá continuar disputando mesmo sub-judice perante a Justiça Eleitoral.

— Ele vai perder a eleição, mas não a capacidade de se candidatar que será garantida pelo STJ. Eu acho até bom, a gente vai derrotá-lo nas urnas — diz Onyx.

— Sou adversário de Lula, mas reconheço seu carisma e sua força política. Nem por isso a gente pode ficar intimidado. Essa questão na Justiça precisa ser enfrentada — diz Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

MAIA DIZ ESPERAR JULGAMENTO ISENTO

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse esperar que o TRF-4 faça um julgamento “transparente e com isenção”. Maia lembrou que sempre foi adversário de Lula, mas ressaltou que tem “preocupação com pressões” de natureza política sobre julgamentos. Para ele, não contribuem debates públicos sobre datas de julgamentos.

— Um julgamento de qualquer cidadão não pode ter interferência política, tem que ser uma decisão da Justiça de pautar. Se eles estão confortáveis com a decisão pautar de dia 24, se não isso tem interferência política no julgamento, se o presidente Lula vai ter, como sabemos que terá, um julgamento transparente e isento, tudo bem. O que tenho muita preocupação é que pressões mobilizem o Judiciário. Fico preocupado às vezes com pressão — afirmou.

De acordo com o presidente da Câmara afirmou que é preciso aguardar o julgamento, mas garantiu acreditar que a atuação dos desembargadores será isenta:

— Não gosto de ver a discussão da data de julgamento de qualquer pessoa na imprensa: vai ser dia 24, 15 de março. Agora, já está marcado. Essa discussão me parece que se faz desnecessária da parte da sociedade que é contra o presidente Lula. Sou adversário do presidente Lula, e sempre fui, fui oposição desde o primeiro dia do governo dele e até o último do governo da presidente Dilma, e o que espero só é que o julgamento tenha isenção. E tenho certeza de que os desembargadores do TRF tenham isenção para julgar o presidente Lula de forma correta, e a data que eles marcaram, vamos aguardar o julgamento — avaliou.

O vice-líder do governo e do PMDB na Câmara, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), comemorou.

— Toda a nação espera (por esse julgamento). O Brasil vai parar e espero que Lula seja recolhido para a cadeia — disse Perondi.

Futuro ministro, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) não comentou a decisão, dizendo que era uma atribuição do Judiciário:

— Essa é uma questão da Justiça — disse Marun.

 

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